Do cativeiro à liberdade: como ajudar a mudar a vida de elefantes explorados pela indústria do entretenimento


– In captivity, they can’t find their own space.

A frase é de Scott Blais, que eu poderia chamar de presidente do Global Sanctuary for Elephants, ou cofundador do The Elephant Sanctuary in Tennessee, ou um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Santuário de Elefantes Brasil, ou de mais outros tantos títulos chiques que ele acumula ao longo de seus mais de 20 anos de experiência com elefantes.

Mas seria uma injustiça. Scott está além disso. Ele é daquelas pessoas que estão num estágio de evolução que a gente nem sabe se vai alcançar nesta vida.

Scott nos recebeu no Santuário com carinho, paciência e regras: lá estão Maia e Guida. Não fazemos nada que chame a atenção delas. Estamos na casa delas, não na nossa.

E assim foi. Guida se aproximou por vontade própria. Veio recolher alguns galhos de palmeiras, dos quais retirava delicadamente as folhas do caule com a tromba. Pode acreditar: Guida é a delicadeza em forma de elefante. Scott explicou que é uma forte característica dos asiáticos – diferentemente dos elefantes africanos, que são mais robustos e passionais. Maia também é asiática, mas tem uma patinha lá no outro continente. É vida louca: jogar terra na cabeça, se molhar inteira ou tomar um banho de lama é com ela mesmo.

Tempo depois, as duas nos olharam por alguns minutos e seguiram pra dentro da mata, livres pra ser quem elas nasceram pra ser: elefantes.

Sim, foi o mais perto que pudemos chegar. Até tentei dizer pro Scott “Oh my God, I’m an african elephant!”. Mas ele não caiu na minha. E eu seria uma hipócrita se dissesse que não dá vontade de sair correndo e abraçar as duas. Entretanto, onde há respeito genuíno pelos animais, nada se trata da gente. Tudo se trata deles.

Eles não estão lá pra abraçar você.

Eles não estão lá pra tirar fotos com você.

Eles não estão lá pra divertir você.

Não é nada sobre você. É tudo sobre eles.

Quem quiser e puder conhecer, compartilhar ou doar, é só clicar aqui.

Qualquer movimento, seja em divulgação ou valor, vai ajudar a cercar mais hectares do santuário e, consequentemente, oferecer mais espaço pros animais; a terminar de construir a área coberta dos elefantes africanos; e a trazer Ramba – um elefante de 50 anos, que trabalhou num circo até 2012 e, desde então, aguarda sua transferência pra vida que deveria ter tido desde sempre.

Ramba no circo onde trabalhou por 40 anos

Quando a gente passa por uma experiência assim, vive na prática a teoria de que não há doação sem renúncia.

Ramba em um Zoo de estrada no Chile

E entender isso é o primeiro passo pra tentar arrumar a bagunça que nós, seres humanos, fizemos na vida desses animais.


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