MAUS-TRATOS

‘Zoo mais triste do mundo’ mantém animais em cativeiro no último andar de shopping na Tailândia

Apesar dos desafios contínuos em ajudar os animais na Tailândia, os ativistas e grupos pelos direitos animais ainda esperam que o Zoológico de Pata feche

Reprodução | The Daily Mail

No mês passado, o jornalista freelancer Julian King foi até o Zoológico Pata, em Bangcoc, na Tailândia, e trouxe vídeos e fotografias angustiantes do local. As filmagens exibem um gorila aflito que rola de um lado para o outro, em seu minúsculo recinto – o que explica a fama de “zoo mais triste do mundo”.

Além do gorila, também podem ser vistos um leopardo andando de um lado para outro em um pequeno espaço, ovelhas espremidas em uma área cercada muito pequena para elas, um pássaro cansado que deveria estar sobrevoando a África, um furão enrolado no canto de sua jaula sem tocar sua comida, e um macaco branco que parece implorar por ajuda.

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De acordo com King, os animais são mantidos nesta situação, em cativeiro, há mais de 30 anos, no andar mais alto de um shopping. Como se isso já não bastasse, a estrutura do local está tão precária que precisa de reparos urgentes.

“Bua Noi (o gorila) – que significa pequena flor de lótus em tailandês – vive um pesadelo desde 1983. Ela está no sexto andar e nunca viu o mundo de fora desde então”, ele conta. Mas a sua denúncia não foi a primeira que o zoológico recebeu, e as probabilidades de que ele continue funcionando são bem altas. “As leis de proteção animal são praticamente inexistentes na Tailândia, e as que existem são extremamente vagas, dificultando sua aplicação”, explica.

Reprodução | The Daily Mail

Houve esforços anteriores para resgatar Bua Noi e transferi-la para um santuário. Em março de 2015, as autoridades tailandesas descobriram que o zoológico não estava em conformidade com os regulamentos e ordenou que os proprietários removessem o gorila e outros animais de grande porte, incluindo tigres, leopardos e macacos. Três anos se passaram, e Bua Noi infelizmente continua está lá. Ninguém sabe ao certo se a ordem foi retirada ou se eles simplesmente descumpriram-na.

Em fevereiro deste ano, o fotógrafo da vida selvagem Aaron Gekoski visitou o Zoológico de Pata. Em uma entrevista ao portal The Dodo ele revelou o quão decepcionante foi a sua experiência, ao ver a maneira como os animais se comportavam, devido aos traumas do cativeiro.

Reprodução | The Daily Mail

“Na natureza, os orangotangos são animais solitários, que passam muito pouco tempo no solo. Eles até constroem ninhos e dormem no alto do dossel. Então, vê-los agindo dessa maneira é um comportamento completamente antinatural”, ele desabafa. “Era um lugar muito escuro, sujo e deprimente para visitar e tive um sentimento pós-apocalíptica ao sair de lá”.

“Os orangotangos compartilham mais de 96% de DNA conosco e possuem muitas emoções humanas – eles pareciam incrivelmente entediados e deprimidos, assim como o chimpanzé. Um dos compartimentos estava tão sujo que mal dava para ver que havia um chimpanzé lá dentro”, ele continua.

Reprodução | The Daily Mail

Ele conta ainda que viu pouquíssimos estímulos para os animais, como balanços ou pneus que eles usam para brincam e se entreter por alguns momentos. Além disso, nenhuma equipe monitorava os visitantes do zoo, então se os animais fossem agredidos ou perturbados de qualquer maneira, nada seria feito para impedi-los. “Eu até vi um homem puxando e brincando com o lábio de um orangotango”, conta Gekoski.

As tentativas para fechar de vez este que é o zoo mais triste do mundo são muitas. Uma petição para libertar todos os animais do zoológico já alcançou mais de 95.000 assinaturas – mas foi iniciada há quase quatro anos. Enquanto isso, os animais permanecem em condições extremamente precárias, em jaulas apertadas e sem qualquer acesso à luz solar. Eles também estão sujeitos a calor intenso e fumaça dos escapamentos de automóveis das ruas movimentadas abaixo.

Em 2014, a Tailândia chegou a introduzir uma lei de bem-estar animal que, em teoria, serviria para proteger todos os animais contra instalações deste tipo. O problema é que nem sempre ela é aplicada, tanto é que na mesma época, a licença do zoológico de Pata foi renovada, apesar das enormes críticas e dos esforços constantes para fechá-lo permanentemente.

Reprodução | The Daily Mail

Em sua defesa, o diretor Kanit Sermsirimongkol não tem muito a dizer. A única coisa que afirma com toda a certeza – disse à Bangkok Magazine em uma entrevista em 2015 – é que não simpatiza com ativistas. “Nós os chamamos de lok-suay (otimistas cegos); pessoas cuja mente limitada pensa que os animais não devem ser mantidos em cativeiros”, comenta.

Mas o gorila não apenas parece triste, ele está triste. E tem estado assim há tanto tempo que provavelmente desenvolveram zoonose – distúrbio psicológico causado pelo enclausuramento – e uma severa depressão. Apesar dos desafios contínuos em ajudar os animais na Tailândia, os ativistas e grupos pelos direitos animais ainda esperam que o Zoológico de Pata feche.