Cadela é atacada a tiros em obra de estrada em Cocais (MG)


Uma cadela que andava pela obra da estrada Caeté-Barão, em Cocais (MG), foi vítima de várias perfurações provocadas por arma de fogo que atingiram o lado esquerdo da face dela. Um boletim de ocorrência foi registrado e a Sociedade Galdina Protetora dos Animais e da Natureza de Caeté (SGPAN) encaminhará documentação relativa ao caso ao Ministério Público.

(Foto: Divulgação)

Maus-tratos a animais é crime previsto nas leis municipal 2.943/2015 e estadual 22.231/16 e no artigo 32 da lei federal 9.605.

Testemunhas relataram ter ouvido, na última terça-feira (24), gritos de dor de uma cadela amarela de porte médio, que tinha forte sangramento no rosto. A médica veterinária especialista em animais silvestres, Paula Senra, que trabalha na obra, foi quem socorreu a cadela e a levou para a Clínica Cães e Cia, em Caeté.

(Foto: Reprodução / Facebook /Paula Senra)

O médico veterinário Marlon Mendes a examinou e informou que ela chegou na clínica com sangramento no nariz e na boca, várias perfurações no lado esquerdo da face, uma no lado direito e outra na língua, “muitos fragmentos ósseos, fratura dos dentes caninos e molares, possível fratura no maxilar e mandíbula”. O raio-x mostrou fragmentos de metal de diversos tamanhos espalhados por toda face do animal. Há grandes chances do animal precisar ser encaminhado a Belo Horizonte para que seja realizada uma cirurgia odontológica.

Uma campanha tenta, agora, arrecadar fundos para pagar o tratamento da cadela. As doações podem ser feitas diretamente na clínica veterinária para onde o animal foi levado, localizada na Avenida Mundeus, 51, no bairro Mundeus, em Caeté (MG) ou através de depósitos bancários realizados na conta da ONG responsável pelo resgate da cadela – Caixa – Agência 1441, operação 003, conta corrente 00001943-2, CNPJ 10431376/0001-04.

Após o tratamento, a cadela será disponibilizada para adoção.

(Foto: Reprodução / Facebook /Paula Senra)

Agressores de animais são punidos pela Justiça

Nos últimos anos, casos graves de agressões contra animais foram exemplarmente punidos em Caeté “e este, que infelizmente aconteceu, será mais um que terá todo nosso empenho para ser punido”, diz a nota da SGPAN nas redes sociais.

A ONG, que fez 10 anos de atuação em Caeté em junho de 2018, denunciou os casos da cadela Negona, queimada com água fervente em janeiro de 2014, e do gatinho arremessado por cima de um muro, em junho de 2015, cujo vídeo foi parar nas redes sociais. Ambos os casos tiveram repercussão nacional. O mais recente, em 2017, foi de um homem que não era médico veterinário mas fazia castrações e cirurgias em animais. Vários deles foram parar em uma clínica da cidade, com hemorragia e sequelas das ‘cirurgias’.

“Todos foram autuados pelo crime previsto no artigo 32 da lei federal 9.605, que prevê punição para crime de maus-tratos contra animais”, de acordo com a promotora de Justiça de Caeté, Anelisa Cardoso Ribeiro.

Os casos tiveram o empenho e a perseverança da SGPAN, que buscou todos os dados e informações possíveis para que a polícia, o Ministério Público e a Justiça pudessem fazer seu trabalho. A mulher suspeita de ter jogado água fervente na cadela Negona está pagando parcelado a multa no valor correspondente ao gasto que a ONG teve com a recuperação da cadela numa clínica veterinária.

O rapaz que atirou o gatinho por cima de um muro também pagou parcelado o valor de R$ 1.893,00 e foi obrigado a gravar e divulgar um vídeo na internet se retratando pelo ato, além de prestar serviços durante seis meses para a Sociedade Galdina Protetora dos Animais e da Natureza de Caeté (SGPAN).

O homem que se passava por veterinário está pagando, também parcelado, valor relativo ao custo de animais que foram atendidos na clínica veterinária por complicações das “cirurgias” que ele fez e prestou o compromisso de não mais realizar atividades próprias de médico veterinário. Todos os valores estão sendo destinados à entidade SGPAN, que recentemente teve que suspender esses atendimentos e atender somente casos graves por falta de dinheiro e dívidas.

Cadela queimada com água fervente

O crime de maus-tratos contra a cadela Negona, que ficou com ferida em carne viva na barriga por queimadura com água fervente, teve ampla divulgação na mídia nacional. Canais de TV foram ao município de Caeté e fizeram reportagens mostrando a situação dramática da cadela.

O crime aconteceu na manhã de 12 de janeiro de 2014, quando duas voluntárias da SGPAN foram até a casa de Alexandre Soares, morador do bairro Chapada, porque uma delas havia recebido telefonema de uma vizinha dele com pedido de socorro para uma cadela queimada. Ao chegar ao local, as voluntárias ficaram chocadas. A cadela estava com parte da barriga em carne viva, ao lado de um filhote recém-nascido e muito doente. Outros dois haviam morrido.

As voluntárias levaram a cadela imediatamente para atendimento numa clínica e o médico veterinário constatou se tratar de queimadura com água fervente. A cadela ficou internada por vários dias. O filhote dela, entretanto, morreu, o que agravou ainda mais o sofrimento dela e quem acompanhava a triste história de maus-tratos.

Após a internação, a cadela recebeu alta e ficou dois meses na casa de uma voluntária da ONG até a ferida cicatrizar. Recuperada, ela voltou para os tutores, pessoas humildes que vivem na periferia de Caeté e que, apesar das dificuldades financeiras, sempre cuidaram da cadela com carinho. Ao longo dos meses em que ficou internada e no lar temporário, a família dela sempre a visitou.

Maus-tratos a gato

Em junho de 2015, foi divulgado um vídeo no WhatsApp em que um rapaz aparece dizendo “pra quem não gosta de gato, faz isso aqui com ele” e, em seguida, arremessa o gatinho por cima de um muro.

Após tomar conhecimento das imagens, a SGPAN fez boletim e ocorrência e deu ampla divulgação ao caso nas redes sociais e na imprensa nacional. Voluntários da ONG tentaram localizar o animal. Moradores do bairro São Geraldo informaram que ele foi visto após o crime, no entanto, as buscas por ele não tiveram sucesso.

Falso veterinário

A SGPAN vinha recebendo várias informações sobre animais com sequelas de cirurgias e, depois de muitas buscas, descobriu que um senhor, morador de um distrito de Caeté, fazia as cirurgias mesmo sem ter formação em medicina veterinária.

A ONG registrou um boletim de ocorrência e enviou, como nos dois outros casos, todas as informações possíveis ao Ministério Público, para que houvesse punição.

O empenho da entidade, da polícia e do Ministério Público foi fundamental para que todos os casos fossem esclarecidos e recebessem a devida punição.


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