Demora de presidente da Alesp para pautar PL dos Bois levanta suspeita sobre conflito de interesses


A demora do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o deputado estadual Cauê Macris (PSDB), para pautar o PL 31/2018, que prevê a proibição da exportação de animais vivos através dos portos do estado de São Paulo e que ficou conhecido como PL dos Bois, levantou a suspeita de ativistas sobre um possível conflito de interesses que pode estar levando o parlamentar a não colocar o projeto em votação. Os defensores dos direitos animais publicaram um vídeo (veja abaixo) por meio do qual expuseram fatos que, segundo eles, poderiam explicar porque o projeto ainda não foi colocado em votação.

Deputado estadual Cauê Macris (Foto: Alesp)

A suspeita teve início devido ao histórico do deputado. Isso porque Cauê Macris é frequentador assíduo de rodeios. Fotos em diversas festas do peão comprovam a presença do político nos eventos. Cauê esteve, ao lado do pai, o deputado estadual Vanderlei Macris (PSDB), no 9º Itanhaém Rodeio Festival, realizado pela Federação de Rodeio do Estado de São Paulo.

Neste ano, o presidente da Alesp participou também da 32ª Festa do Peão de Americana, ao lado do ex-prefeito de São Paulo João Dória, do deputado federal Vanderlei Macris e do vereador Rafael Macris, que é irmão de Cauê.

Cauê Macris, de vermelho, ao lado do pai, Vanderlei Macris, em um rodeio (Foto: Divulgação)

Além de frequentar rodeios, Cauê pertence a uma família envolvida com a crueldade animal. Isso porque a esposa do parlamentar, Leticia Worschech Macris, é sócia da Churrascaria União, em Limeira, no interior de São Paulo, e o pai de Cauê, o deputado Vanderlei Macris, foi o responsável por assinar, em julho de 1999, a Lei Nº 268/8, que regulamenta o rodeio em todo o estado de São Paulo. O comunicado sobre a lei foi feito na 44ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos.

As questões que levantam a suspeita de conflito de interesses em relação a colocar em votação o PL dos Bois, entretanto, não param por aí. Nas eleições de 2014, o partido de Vanderlei e Cauê, o PSDB – com a coligação PSDB-DEM-PPS -, recebeu 800 mil reais de doação de campanha da Minerva S.A., empresa que produz e comercializa carne de boi, couro e derivados, e também exporta bois vivos, além de atuar no processamento de carne.

Cauê Macris e Vanderlei Macris no 9º Itanhaém Rodeio Festival (Foto: Divulgação)

Apesar de todos os fatos mencionados, consta no perfil de Cauê Macris no site oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a informação de que o deputado atua na área de “defesa dos animais”. Resta saber, no entanto, quais espécies o parlamentar, de fato, defende. Isso porque a presença assídua do político em rodeios e a demora para colocar o PL 31/2018 em votação na Alesp dão a entender que Cauê usa do especismo quando se trata de agir em prol dos animais, excluindo da “defesa dos animais”, que ele diz exercer, aqueles que sofrem com as torturas impostas pelas festas de peão e os que vivem um verdadeiro horror dentro de navios, tendo que suportar viagens longas e exaustivas – que duram semanas -, em ambientes superlotados e repletos de dejetos, para que, no destino final, sejam covardemente mortos.

Perfil de Cauê Macris no site da Alesp (Foto: Reprodução / Alesp)

Confira o vídeo feito por ativistas:


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