Gastronomia coloca quatro espécies de animais sob ameaça de extinção


Uma das espécies ameaçadas de extinção, o pangolim, é considerado uma iguaria gastronômica na China e no Vietnã | Foto: Divulgação
Uma das espécies ameaçadas de extinção, o pangolim, é considerado uma iguaria gastronômica na China e no Vietnã | Foto: Divulgação

A história esta repleta de exemplos de espécies exterminadas pela ação humana. Ao longo de sua existência o ser humano tem eliminado populações inteiras de animais. Alguma aprendizagem foi estabelecida por meio desses erros? Evidências apontam que não, uma vez que criaturas que vão desde uma ave canora até pangolins e atum rabilho estão em extinção por causa da gastronomia.

Entre os exemplos de espécies já extintas pela ação humana podemos contar o passaro dodô, conhecido por ser um pássaro que não voava e sem predadores naturais, ele foi descoberto em 1507 nas ilhas Maurícias no Oceano Índico e foi extinto em 1681. Os marinheiros os caçavam para comer ou matavam indiscriminadamente sem motivo, e ratos comiam seus ovos.

Outro animal com uma historia sem final feliz foi a vaca marinha de steller. Descoberta no mar de Bering em 1741 e extinta em 1768, essa espécie era composta de criaturas marinhas enormes, dóceis e parecidas com peixes-boi, e que não podiam submergir. Elas foram vítimas de caçadores de focas.

Os pombos passageiros também já povoaram parte do nosso planeta e chegar a existir em bilhões na América do Norte, seus rebanhos migratórios escureceriam o céu durante dias. Os colonos europeus entraram em cena e as aves desapareceram totalmente no início do século XX.

Trazendo a discussão para o momento presente, atualmente a China está deixando de ser o maior produtor do mundo para ser o maior consumidor, e seu apetite por alimentos exóticos é incomparável. O pássaro escrevedeira aureolada (Emberiza aureola) está sendo levado à extinção porque a população do sul da China se recusa a parar de comer o pássaro canoro, apesar da ameaça de multas altas.

Os moradores da região acreditam em crenças supersticiosas de que comê-lo aumenta a vitalidade sexual e desintoxica seus corpos. O pássaro foi colocado na lista de espécies ameaçadas de extinção, mas isso não impediu em nada a queda acentuada nos números da espécie.

Aqui estão quatro outras espécies que estão enfrentando a extinção através da mesa de jantar.

1. Pangolin

| Foto: Kyle de Nóbrega

Pangolins são mamíferos noturnos que comem formigas e cupins. Eles são os únicos mamíferos com escamas de queratina e podem soltar um produto químico prejudicial qdo se sentem ameaçados, assim como os gambás.

Todas as oito espécies de pangolim estão ameaçadas de extinção. Quatro estão classificados como vulneráveis, dois estão ameaçados e dois estão criticamente ameaçados.

Na África eles são caçados tanto com o ituito de alimentação como para serem usados na medicina tradicional. Infelizmente, eles também são uma iguaria no sul da China e no Vietnã. Existe uma crença absurda na Ásia Oriental de que as escamas de pangolim moídas podem estimular a lactação, curar o câncer e a asma.

Acredita-se que mais de um milhão de pangolins tenham sido traficados no ano passado, tornando-o o animal mais traficado do mundo.

Todas as espécies de pangolim são protegidas e há uma proibição internacional do comércio destes animais. Essa raridade, infelizmente, só aumenta o preço, e o contínuo comércio está aniquilando seus números.

2. Atum rabilho

| Foto: Divulgação

O atum-rabilho é um dos peixes mais velozes do oceano e pode atingir mais de 60 Km/h ao caçar. Ele chega a crescer até 4,6 metros de comprimento e pesa até 680 kg. As espécies de atum-rabilho variam de vulneráveis a criticamente ameaçadas de extinção. O aumento na demanda por sushi e sashimi resultou em uma pesca excessiva, e apesar dos acordos e convenções internacionais, os números da espécie continuam caindo.
O peixe está sendo cultivado para tentar diminuir o impacto, mas o atum-rabilho cresce muito lentamente, e os peixes grandes alcançam valores muito altos, especialmente no Japão. O atum migra por longas distâncias e é caçado normalmente no meio do oceano. Eles não são protegidos em zonas econômicas exclusivas de determinados países com quotas de pesca.

3. Salamandra gigante chinesa

| Foto: Divulgação

Ela chega a crescer até dois metros, pesar até 50 kg e é o maior anfíbio do planeta. Infelizmente também é considerada uma iguaria na China e está sendo usada na medicina tradicional chinesa. Sua origem pode ser observada em registros fósseis que remontam de mais de 170 milhões de anos, mas atualmente esta espécie está criticamente ameaçada de extinção.

A população diminuiu em 80% ao longo de três gerações.

A salamadra é cultivada em peso na China, em 2011 haviam 2,6 milhões de salamandras em fazendas somente na província de Shaanxi, números extremamente altos se comparados com a população selvagem de todo o país que é de 50.000. A agricultura traz consigo seus próprios problemas, incluindo a disseminação de vírus para a população de salamandras selvagens e a poluição dos rios.

4. Esturjão

| Foto: Mauro Orlando

Seu registro fóssil data de 200 milhões de anos. Durante esse tempo na Terra, eles sobreviveram a dois, possivelmente três eventos massivos que destruíram grande parte da vida no planeta. Mas agora estão lutando para sobreviver ao ser humano.

A maioria das espécies de esturjão corre risco de extinção hoje. O esturjão beluga foi perseguido e exterminado por seus ovos (caviar), que são considerados uma iguaria fina e são comercializados por valores ridiculamente altos.

A elevação da China a um patamar com um forte potencial de compra pode ser o início do fim do esturjão. Em uma projeção da Associação de Esturjão da China, o país consumirá 100 toneladas de caviar todos os anos até 2020, respondendo por um terço do consumo mundial total. A China também produz um terço de todo o caviar do mundo.

O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos proibiu a importação de caviar Beluga do Mar Cáspio em 2005. Um ano depois, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas suspendeu todo o comércio. No ano seguinte, a proibição do comércio foi parcialmente suspensa. O esturjão está listado como criticamente ameaçado. Ele leva 20 anos para atingir a maturidade, e a colheita dos ovos exige a morte dos peixes.


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