Morte de 18 cães picados por abelhas pode ter ocorrido após fogos incomodarem os insetos


Dezoito cachorros morreram na última segunda-feira (2) após serem picados por abelhas em um canil na QI 11 do Lago Sul, área nobre de Brasília. A suspeita é de que as abelhas tenham saído da colmeia após ficarem incomodadas com o som de fogos de artifício somado ao latido dos cachorros, que reagiam, assustados, ao barulho dos explosivos.

(Foto: Corpo de Bombeiros)

Inicialmente, oito cachorros morreram. Cerca de 30, feridos, foram levados para uma clínica veterinária. Entretanto, dez dos cães que foram socorridos não resistiram. Até a publicação desta reportagem, a informação divulgada era a de que os animais sobreviventes continuavam internados.

O enxame estava em uma casa vizinha, segundo informações do Corpo de Bombeiros divulgadas pelo G1.

Especialistas explicam que um grande número de picadas de abelhas pode gerar problemas em diversos órgãos e fechar vias respiratórias de pessoas ou animais alérgicos. Mais de 500 picadas representam uma quantidade de veneno que pode ser compatível ao veneno de uma serpente.

Em entrevista ao portal Metrópoles, a proprietária do canil Marise Castilho Ferreira, servidora aposentada do Distrito Federal que, lamentavelmente, explorava os cães da raça yorkshire terrier para reprodução e venda, lamentou a morte dos animais. “Foi uma coisa horrorosa. Ainda estou passada”, disse.

Apesar de ter sido acionado no período da tarde, o Corpo de Bombeiros retirou as abelhas do local apenas à noite porque, segundo o sargento Raimundo Silva, durante o dia as abelhas ficam agitadas. Não foi informado, entretanto, de que forma os insetos foram tirados do local e se tiveram resguardado o direito à vida, intrínseco a todo ser vivo.

De acordo com o sargento, as abelhas estavam em uma passagem de águas pluviais na casa ao lado da residência onde viviam os cachorros. “As abelhas já deveriam estar ali há cerca de um ano. É muito difícil notar a presença delas porque ficam em local fechado. Hoje, ficaram agitadas e as pessoas notaram. Podem ter sido os fogos, que assustaram o cachorros”, explicou Silva ao portal Metrópoles.

(Foto: Igo Estrel / Especial para o portal Metrópoles)

Os bombeiros que participaram da ação tiveram que utilizar roupas especiais para evitar que fossem picados pelos insetos. As abelhas, entretanto, são seres irracionais que agem por instinto de defesa e não têm culpa pelo ato de picar alguém. Conforme explicou o chefe do Serviço Operacional de Informações Públicas do CBMDF, major Lourival Correia, abelhas picam apenas quando se sentem ameaçadas.

“Não se pode jogar pedra ou tentar espantar. Nesses casos, sempre acione o Corpo de Bombeiros”, alertou o major.

Além dos cães, duas pessoas foram picadas pelas abelhas, que voaram em um raio de 100m, segundo o sargento Márcio Rodrigues. Os humanos feridos, entre eles Maria da Conceição Benício Rodrigues, de 64 anos, não precisaram recorrer a um hospital, já que não se feriram com gravidade.

Maria salvou quatro cachorros ao colocá-los em uma gaiola e protegê-los com um cobertor. “Quando cheguei no canil, vi as abelhas em cima de mim. Parecia milho”, concluiu.

Nota da Redação: a ANDA entende que a morte dos cachorros e o ferimento causado nos sobreviventes foi uma fatalidade que não tem relação com o comércio de animais. No entanto, por saber que os cães eram mantidos em um canil para que fossem reproduzidos e comercializados, é importante reforçar que animais não devem ser tratados como objetos passíveis de venda. Cachorros ou seres de qualquer outra espécie são vidas e por isso não podem, em hipótese alguma, ser vendidos. O comércio de animais, além de tratá-los como mercadorias, também está repleto de casos de maus-tratos que só chegarão ao fim quando seres vivos forem tratados com respeito e a ideia de comercializá-los passar a ser considerada algo inaceitável por toda a sociedade. Afinal, enquanto houver quem os venda, haverá, entre esses vendedores, pessoas que não se importam sequer em dar condições de bem-estar aos animais, gerando, assim, terríveis casos de maus-tratos. Por essa razão, a ANDA recomenda aos leitores que optem por adotar animais ao invés de comprá-los e incentiva os criadores de animais a buscarem outras atividades, que não envolvam animais, para gerar lucro para si mesmos.


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