RETROCESSO

Governo Trump ameaça cortar a proteção de lobos e ursos

Caso as proteções sejam removidas, esta será a primeira vez que estes animais serão caçados em seus habitats.

Lobos Cinzentos podem perder a proteção de espécies em extinção | Foto: Divulgação

Foi confirmado esta semana que o governo Trump está considerando uma proposta para retirar a proteção da Lei de Espécies Ameaçadas de quase todos os lobos nos 48 estados baixos, incluindo a região dos Grandes Lagos nos Estados Unidos, tornando os animais vulneráveis à caça e captura por caçadores de troféus.

Lobos Cinzentos podem perder a proteção de espécies em extinção | Foto: Divulgação
Lobos Cinzentos podem perder a proteção de espécies em extinção | Foto: Divulgação

De acordo com o Centro de Diversidade Biológica, em uma declaração feita por e-mail, Gavin Shire, o chefe de Assuntos Públicos do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, disse que a agência começou a rever o status do lobo cinzento sob a Lei de Espécies Ameaçadas e espera publicar uma proposta revisando o status do lobo “até o final do ano”.

“É extremamente preocupante ver a administração Trump tentando eliminar prematuramente os lobos da lista de espécies em extinção”, observou Collette Adkins, bióloga e advogada do Centro de Diversidade Biológica em Minneapolis. “Repetidamente, os tribunais têm dito a agência que os lobos precisam de uma recuperação maior antes que suas proteções possam ser removidas. Mas a agência está determinada a apaziguar “interesses especiais” daqueles que querem matar esses animais incríveis”.

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Da última vez que o Serviço de Pesca e Vida Selvagem removeu a proteção para os lobos cinzentos em 2011, na região dos Grandes Lagos, centenas de lobos morreram durante as temporadas de caça de troféus de lobos e de armadilhas que se realizaram em Minnesota, Wisconsin e Michigan.

Então, em 2013, a agência propôs remover a proteção do lobo cinza no resto do país. Isso incluia a Califórnia, Oregon e Washington, onde pequenas populações ainda estavam se recuperando, e o sul das Montanhas Rochosas e Adirondacks, que têm habitats adequados para lobos, mas nenhum lobo.

Em 2014, um juiz federal revogou a decisão da agência de remover prematuramente as proteções dos lobos. E no ano passado um tribunal de apelação federal confirmou a decisão do tribunal de primeira instância, argumentando que a agência ignorou ilegalmente a forma como a remoção da proteção de lobos na região dos Grandes Lagos poderia prejudicar a recuperação de lobos em outras áreas, como na Nova Inglaterra e em Dakota.

Em declaração a agência explica que a reintegração da proteção aos lobos na região dos Grandes Lagos “impediu que eles avançassem com a proposta de exclusão total”, na época.

No ano passado, a agência tentou usar com os ursos pardos do Parque Nacional de Yellowstone a mesma abordagem que, sem sucesso, tentou usar para os lobos. A agência designou um “segmento populacional distinto” do parque e removeu proteção dos ursos naquela região. As organizações tribais e de conservação do meio ambiente desafiaram a remoção das proteções dos ursos pardos, confiando nas decisões dos tribunais que reverteram a abordagem semelhante para os lobos.

Se o governo for bem-sucedido em seus esforços para remover prematuramente as proteções para lobos e ursos pardos, pela primeira vez em gerações, os caçadores de troféus americanos poderão matá-los em quase todos os lugares em que eles vivem.

“Como muitos norte-americanos, valorizo extremamente o fato de termos lobos e ursos na natureza e não quero vê-los sendo pegos por armadilhas em esportes sangrentos ou tendo suas peles arrancadas”, disse Adkins. “Estamos prontos para uma luta e faremos tudo o que pudermos para garantir que os federais cumpram sua obrigação de restaurar as espécies de lobos e ursos em todo o país”.