FINAL FELIZ

Bulgária desiste de matar vaca condenada ao sacrifício por cruzar fronteira

Penka foi condenada ao sacrifício por ter entrado na União Europeia sem que documentos que atestem a saúde dela tenham sido apresentados. Entretanto, após pressão, a Bulgária voltou atrás e desistiu de matar a vaca.

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13/06/2018 às 09:00
Por Redação

A Bulgária desistiu de matar uma vaca que havia sido condenada ao sacrifício após cruzar a fronteira da União Europeia.

De acordo com as autoridades, a vaca deveria ser sacrificada por ter violado as diretrizes que determinam que animais só podem entrar na União Europeia após documentos que atestam a saúde deles serem apresentados.

Penka ( Foto: HRISTO VLADEV / Handout)

Penka, como é chamada a vaca, ultrapassou a fronteira e entrou na Sérvia enquanto caminhava com um rebanho pela aldeia búlgara de Kopilovtsi. Resgatada por um fazendeiro, o local de origem da vaca foi descoberto através da leitura de um dispositivo de rastreabilidade pertencente ao animal. Penka foi, então, devolvida ao tutor, mas teve a morte decretada pelo governo.

Diante da cruel determinação dada pelas autoridades, Ivan Haralampiev, o tutor da vaca, divulgou a história de Penka na intenção de comover a opinião pública e conseguir apoio. A atitude de Haralampiev fez com que um abaixo-assinado fosse criado e coletasse 25 mil assinaturas. Até mesmo o ex-beatle Paul McCartney se mostrou solidário à causa e utilizou, nas redes sociais, a hashtag #SavePenka (Salve Penka, em tradução livre). Ativistas da Grã-Bretanha também se posicionaram. Segundo eles, a vaca foi vítima da burocracia de Bruxelas. O caso de Penka foi discutido ainda em uma sessão diária da Comissão Europeia.

Após a pressão, a Agência Búlgara de Segurança Alimentar decidiu rever a situação e afirmou que exames deram à vaca um atestado de saúde.

“Espera-se que o animal seja autorizado a voltar para sua antiga casa na aldeia de Mazarachevo até o final da semana”, disse a agência em nota. A vaca fugiu no dia 12 de maio e desde que foi devolvida ao tutor, em 27 de maio, está sendo mantida em quarentena.

“Eu sou muito grato a todos aqueles que do outro lado do mundo defenderam meu pobre animal, eles não têm ideia do estresse que isso me causou, mas valeu a pena”, afirmou o tutor de Penka.

O caso da vaca serviu ainda para que o grupo de defesa dos direitos animais Four Paws lembrasse que há muitos outros animais vivendo a mesma situação que Penka, já que vários deles, em situação de abandono, cruzam diariamente a fronteira da União Europeia.

“Será realmente cruel matar todos aqueles animais. Espero que, se houver uma lacuna na legislação europeia, o caso de Penka ajudará a resolver esse problema”, finalizou o porta-voz do grupo Yavor Gechev.