LUTANDO PELA VIDA

Boi se torna um símbolo de resistência

Desesperado, um boi pulou do navio Aldelta, atracado no Porto de São Sebastião durante uma operação que tem como objetivo levar 5 mil animais para serem mortos em algum país do Oriente Médio, e nadou por quase 10 km num mar extremamente frio.

(Foto: Rodrigo Polacow)

Imaginem como seria nadar por quase 10 km num mar extremamente frio a fim de se salvar da morte. Foi exatamente o que fez um boizinho na madrugada do dia 14 de junho (uma das mais frias do ano) depois de pular do navio Aldelta, que estava atracado no Porto de São Sebastião (litoral norte de SP), durante a operação para carregamento de 5 mil animais rumo a algum país do Oriente Médio.

(Foto: Rodrigo Polacow)

A vontade de viver fez com que esse boizinho sobrevivesse até as 7 horas da manhã em plena água gelada, quando foi avistado por uma pequena embarcação. Foi laçado e levado em segurança para a Praia das Cigarras, mas o que poderia ser uma esperança de liberdade logo se transformou num novo pesadelo.

A defesa civil foi acionada e a Cia DOCAS, que administra o Porto, enviou um caminhão guincho que içou o boizinho (já com todas as patas amarradas) como se fosse um saco de batatas. A DOCAS noticiou que o boi seria examinado pelos veterinários presentes no Porto e, se estivesse bem, seria novamente embarcado… para a morte.

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Rodrigo Polacow, morador e ambientalista de São Sebastião, conseguiu fotografar o resgate e também filmar o içamento do animal. Ele conta que o boi aparentava estar bastante exausto, mas não tinha ferimentos, inclusive, chegou a ficar em pé na beira da areia, mas logo tombou de cansaço. Tanto sacrifício para, como diz o ditado, “morrer na praia”… ou quase isso.

(Foto: Rodrigo Polacow)

Apenas sete dias atrás, em 8 de junho, outros dois bois se jogaram do navio Aldelta, que permanece atracado em São Sebastião, com mais 5 mil animais. A DOCAS informou na ocasião que os animais foram resgatados em “bom estado” e reembarcados.

Já foram registrados, em outras partes do mundo, diversos casos de animais em navios de carga viva se jogando ao mar numa tentativa alucinada de escapar da morte. Infelizmente nenhum deles até hoje foi poupado apesar da forte determinação de viver. O boizinho de São Sebastião é um desses símbolos de resistência e mostra o quanto o sofrimento desses animais pede urgência.

(Foto: Reprodução / Rodrigo Polacow)

Vale ressaltar que depois de todo o sofrimento que esses animais enfrentam num navio em alto mar, vivendo durante 15 a 20 dias em meio a fezes, urina e vômito, com fraturas e sem poder sequer respirar direito ou deitar para descansar, ainda são abatidos no país de destino de forma brutal, ainda conscientes, com um corte no pescoço que os faz sangrar até a morte. Um triste começo, um doloroso meio e um trágico fim – é isso que está acontecendo com os bois brasileiros.

O juiz federal Djalma Moreira e o procurador regional da República Sérgio Monteiro já deram pareceres contrários a esse tipo de comércio e de forma muito bem fundamentada. O Projeto de Lei 31/2018, do deputado estadual Feliciano Filho (PRP) também visa acabar com a exportação de animais vivos pelos portos de SP. Agora só falta o governador enxergar a situação e colocar um fim a essa crueldade. Manifeste sua opinião na página do governador https://www.facebook.com/marciofrancasp/

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

Confira os vídeos abaixo: