Caça pode levar espécies de cervos a extinção


Por mais absurdo que soe, a caça ao troféu é temerosamente considerada uma “prática ecologicamente correta” pelos caçadores e alguns “administradores da vida selvagem”. Eles defendem o argumento pífio de que poucos cervos são mortos e que esses ainda são escolhidos “seletivamente”, ou seja, somente aqueles com características mais impressionantes, como grandes chifres ou crinas.

Esporte sangrento de mau gosto pode comprometer a continuidade da espécie de cervos | Foto: John Athayde
Esporte sangrento e de mau gosto pode comprometer a continuidade da espécie | Foto: John Athayde

Os defensores da caça ao troféu como uma prática amiga do meio ambiente apoiam-se em argumentos mal sustentados de que poucos animais são levados, e que eles são em sua maioria machos maduros. Que a taxa de animais mortos seria controlada para evitar a caça excessiva, e os machos mortos seriam substituídos rapidamente, dada a estrutura social e de acasalamento de muitas espécies caçadas.

Matar animais é um ato inaceitável, sejam eles selecionados ou não, e mais criminoso ainda é o fato de tornar isso um esporte. Para agravar a situação em andamento, ao matar animais com características desejáveis, os caçadores estão afetando diretamente quais traços serão transmitidos às próximas gerações também. Por exemplo, matar grandes leões machos pode resultar na reprodução de leões machos menores, o que – teoricamente – reduz o tamanho geral dos leões ao longo do tempo.

O estudo publicado contesta a crença de que a caça seja de alguma ajuda para a natureza, provando que os caçadores de troféus e outros matadores seletivos podem estar eliminando exatamente os indivíduos que estão melhor adaptados ao seu ecossistema, reduzindo a capacidade de sobrevivência da espécie a longo prazo.

Os autores usaram uma simulação para testar sua teoria. As variáveis como tamanho da população animal, taxa e direção da mudança ambiental, taxa e seletividade de caça, seletividade na escolha de parceiros e probabilidade de extinção. A hipótese era de que, se a mudança ambiental fosse aleatória ao longo do tempo, a caça seletiva não deveria ter grande efeito sobre a probabilidade de extinção, mas caso o meio ambiente mudasse para uma direção específica ao longo do tempo, a caça seletiva aumentaria, e muito, o risco de extinção.

A lógica por trás de sua hipótese é simples de acompanhar: a caça seletiva reduz a capacidade de uma espécie se adaptar a um ambiente que muda gradualmente. Os traços cobiçados pelos caçadores também são aqueles que possibilitam maior capacidade de sobrevivência da espécie. Se os animais mais aptos são mortos, a próxima geração é menos adequada. E se o mais forte dessa geração for morto, seus descendentes serão ainda menos aptos e mais fracos. O resultado final é uma espécie que não está em condições de se adaptar ao seu ambiente e, como resultado, é extintas.

Cervos na natureza, livres e seguros, conforme a natureza os fez | Foto: Divulgação
Cervos na natureza, livres e seguros, conforme a natureza os fez | Foto: Divulgação

Os pesquisadores observam, no entanto, que machos e fêmeas de algumas espécies podem ter diferentes características desejáveis, e que as fêmeas que acasalam com os machos mais desejados podem ter descendentes do sexo feminino indesejáveis. Portanto, o acasalamento com machos indesejáveis pode produzir fêmeas mais desejáveis. Mas os pesquisadores acreditam que isso é improvável, pois estudos de campo descobriram que a conveniência de homens e mulheres é geralmente semelhante e que a própria natureza gere esse “encontro” de parceiros apropriadamente.

Os resultados do estudo em geral mostram quão caótica pode ser tentar fazer uma “gestão da vida selvagem” através da caça. Embora seja verdade que o mundo real nunca é tão claro como as simulações podem retratá-lo – e os autores reconhecem isso – este estudo aponta que, sem sombra de dúvidas, uma abordagem mais ética e baseada na compaixão em primeiro lugar pode ajudar na prevenção do mal em lugar de tentar remediá-lo após já instaurado.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

ESTADOS UNIDOS

FEBRE AMARELA

REVERSÃO

FINAL FELIZ


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>