SOBREVIVENTES

Mais de 200 animais estão entre os resgatados da erupção vulcânica no Havaí

Animais encontraram abrigo em uma fazenda de produção de frutas e hoje descansam no meio dos pomares.

A crise causada pela erupção do vulcão no Havaí entra em sua sexta semana, os animais da área foram severamente atingidos pelo acontecimento. Cerca de duzentos bovinos e animais domésticos de fazendas e casas ameaçadas ou tomadas pela lava também são refugiados da destruição.

Enquanto muitos foram resgatados e adotados alguns não tiveram tanta sorte e estão perdidos ou pereceram, talvez por gases venosos, lava ou fome.

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O carneiro Sam, o cachorro Ginger, a cabra Bucky, e a vaca Maryanne estão entre os sortudos.

A fazenda Konohiki se transformou em lar temporário para mais de 100 animais resgatados, incluindo uma cabra chamada Bucky, acima | Foto: Craig T. Kojima

Esses são apenas 4 dos 213 animais que agora vivem em uma fazenda de produção de frutas em Pepeekeo, cerca de 33 quilômetros ao norte da erupção que cobriu cerca de 5.000 acres (aproximadamente 20 km2) de terra em Puna.

Brian Spencer, o proprietário da fazenda Konohiki, postou no Facebook, se oferecendo para receber animais necessitados, para conhecidos no bairro rural onde vive. “Eu esperava receber quatro ou cinco”, disse Spencer. “Mas tantas pessoas começaram a me contatar! Os animais começaram a chegar em duas semanas”.

Agora, dois cavalos peruanos ocupam um pomar. Gansos e um cavalo árabe vivem entre carambolas. Uma ovelha e um burro adotado, que se juntou a outros 12 burros que Spencer já tinha, descansam sob árvores. Há até um touro chamado Jelly Bean que gosta de ser acariciado.

Gansos andam entre os pomares da fazenda frutífera | Foto: Craig T. Kojima

No total, os animais resgatados vivendo na fazenda incluem 3 cavalos, 3 vacas, 12 ovelhas, um burro, um porco, uma cabra, dois cachorros, três gatos, 25 gansos, cerca de 60 galinhas, 36 patos e duas galinhas d’Angola.
“É difícil contabilizá-los todos”, disse Spencer, que já tinha galinhas, patos, seis porcos, três cachorros e alguns gatos na fazenda onde mora com seu parceiro, um médico.

Spencer não é o único a ajudar os animais necessitados.

Syndi Texeira de Keeau foi inicialmente contatada por um amigo para ajudar no resgate de um animal doméstico. O esforço se multiplicou para mais de 20 animais sendo trazidos em segurança só no primeiro dia, de acordo com ela.
“Eu estava correndo pela vizinhança toda perguntando se eles precisavam de ajuda”, disse ela. “Foi o caos”.

O esforço envolveu encurralar os animais e levá-los para fora da área ameaçada, onde cerca de 130 casas foram destruídas pela lava, e muitas outras foram abandonadas em função da ordem de evacuação. Texeira disse que os gatos foram os mais difíceis de capturar.

Todo esse trabalho resultou em uma página no Facebook, Hawaii Lava Flow Animal Rescue Network (Rede de Resgate de Animais da Erupção de Lava no Havaí, na tradução livre), administrada por seis indivíduos, incluindo Texeira, que começaram como estranhos, mas ligados pela causa que compartilham. Através da rede, os animais foram sendo abrigados em casas e fazendas por toda a região, as vezes com a ajuda da The Hawaii Island Humane Society.

Em um caso específico, foi pedida ajuda para tirar dois cavalos do caminho da lava, enquanto ela avançava em direção à rodovia Noni Farms, que foi parcialmente engolida pela lava. Depois de lutar com cercas e mato para chegar até o local, a filha de Texeira e Kristina Decosta conseguiram montar e salvar os cavalos.

Cavalo resgatado finalmente pula para dentro de um trailer depois de muita insistência | Foto: Craig T. Kojima

Mais recentemente, Texeira e Decosta foram de barco até Pohoiki em busca de um cachorro de três pernas, apelidado de Sweetie Pie, que havia se perdido. Os tutores disseram que o cachorro estava desaparecido há vários dias e que a casa havia sido destruída pela lava.

O esforço não resultou na volta de Sweetie Pie, mas Texeira disse que o resultado foi bom mesmo assim.

“Nós não a encontramos, mas encontramos outro cachorro e um gato”, disse ela. “Foi incrível. Ficamos surpresos que eles tenham sobrevivido”.

Texeira disse que houve momentos tristes ao ver ou sentir o cheiro animais mortos que não sobreveram à lava ou aos gases venenosos que ela produz.

Mimi Bergstrom, de Holualoa foi às lágrimas tocada pela manifestação de ajuda aos animais perdidos ou presos durante a erupção.

“A resposta da comunidade é incrível”, disse ela durante uma estadia na área de Pahoa, onde se ofereceu voluntariamente no complexo de assistência a vítimas da catástrofe. “É como uma colméia, todos ajudando a todos.”

The Hawaii Island Humane Society afirmou ter resgatado cerca de 150 animais que devolveu aos tutores ou colocou em lares adotivos.

A organização também participou de uma reunião no sábado com agências governamentais, voluntários de resgate, e American Society for the Prevention of Cruelty to Animals para melhorar a comunicação e desenvolver um plano de ação e resposta que se beneficiará de assessoria aérea e terrestre iniciando segunda-feira.

Lava avançando no Havaí | Foto: Trevor Hughes

“Obter permissão e acesso seguro às áreas afetadas pela erupção continua sendo a maior prioridade para a força-tarefa”, disse a Humane Society em um comunicado. “Planos bem, executados e comunicação libre estão agora em vigor entre as várias agências envolvidas para conseguir permissão e acesso seguro na intenção de resgatar mais animais”.

Mas todo o trabalho feito e ainda em andamento para salvar os animais não têm sido fácil.

“Trabalhamos muitas horas”, disse Texeira. “É quase como um trabalho em tempo integral.”

The Hawaii Lava Flow Animal Rescue Network (grupo do facebook) arrecadou cerca de 17.000 doláres depois de definir uma meta de 10.000 doláres no gofundme.com (site de doações).

Spencer, da Fazenda Konohiki, disse que todos esses animais adotivos, bagunçaram um pouco a vida dele, mas a comunidade ajudou bastante deixando cartões-presente nas lojas de suprimentos agrícolas. A ajuda de especialistas em cuidados com animais também seria bem vinda, disse ele, para que assim pudesse voltar a colher e entregar frutas de seus pomares.

“É muito trabalho extra, mas vamos cuidar deles”, concluiu ele.