Animais adotam hábitos noturnos para sobreviverem à ameaça humana


Animais em todo o mundo estão escolhendo a noite para praticarem seus hábitos naturais, de forma a evitar qualquer contato com seres humanos.

O castor europeu é um dos animais que adotaram hábitos noturnos para evitar os humanos.
O castor europeu é um dos animais que adotaram hábitos noturnos para evitar os humanos.

A mudança foi observada em seis continentes e poderá alterar drasticamente os hábitos reprodutivos dos animais, as taxas de sobrevivência e as cadeias alimentares em todo o mundo.

Pesquisadores observaram os hábitos de 62 espécies, usando rastreamento por GPS e câmeras ativadas por movimento para rastrear seu comportamento em relação à atividade humana.

Kaitlyn Gaynor, da Universidade da Califórnia, e sua equipe, conduziram uma análise de 76 estudos sobre animais em todo o mundo. Gaynor utilizou os dados dos estudos para investigar as mudanças no comportamento animal.

Ela e sua equipe se concentraram em 62 mamíferos de seis continentes, cada um com pelo menos 1kg de tamanho corporal.

Segundo os pesquisadores, 83% dos seres estudados demonstraram um aumento acentuado nas atividades noturnas quando havia um alto nível de distúrbios humanos nas proximidades. Gaynor e sua equipe categorizaram uma série de atividades como “distúrbios humanos”, que incluíam caça, caminhadas e agricultura.

As descobertas mostraram que os animais normalmente evitam a atividade humana mudando a hora do dia em que estão ativos, ao invés de se moverem fisicamente para uma área menos povoada.

A tendência não se limita a espécies de pequeno porte. Até mesmo os grandes carnívoros adotaram comportamentos noturnos quando os humanos estavam presentes, revelaram os estudos.

Os especialistas apelidaram os seres humanos de “superpredadores”, devido à gravidade de seu impacto nas espécies ao seu redor.

De acordo com a pesquisa, publicada na Science, a mudança para comportamentos noturnos pode ter um efeito profundo nos animais em todo o mundo. Os pesquisadores acreditam que essas alterações, que podem ameaçar a sobrevivência das espécies, se devem à incapacidade dos animais de se adaptar às novas condições de vida.

Eles também afirmam que o impacto dos distúrbios humanos nos animais será sentido na cadeia alimentar.

Os predadores que são forçados a adotarem hábitos noturnos podem perder a capacidade de caçar de forma eficaz. Dessa forma, deixarão de desempenhar seu papel no topo da cadeia alimentar.

À medida que se adaptam ao seu novo estilo de vida, os predadores “alteram drasticamente suas dietas em relação a presas que são mais acessíveis à noite”, o que provavelmente resultará em mudanças irreversíveis nas camadas mais baixas da cadeia alimentar.

Os pesquisadores, porém, pontuam os benefícios da mudança: “Do lado positivo, a divisão temporal pode facilitar a coexistência entre humanos e animais selvagens em escalas espaciais e efetivamente aumentar os habitats disponíveis para espécies que são capazes de se ajustar.”


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