Mergulhadores adotam práticas para ajudar a combater a poluição dos oceanos


Mergulhadores têm acompanhado o processo lento e catastrófico de poluição dos oceanos aos longos das últimas décadas. Eles puderam observar, nos mais diversos locais, o surgimento de uma sacola plástica ali, outra aqui… Até chegar ao estado calamitoso atual.

Por mais que a prática seja muitas vezes impulsionada pelo simples prazer de observar lugares misteriosos e desconhecidos, ela acaba tendo desdobramentos muito positivos para a ciência, e também para os animais. Em alguns casos, é graças a informações concedidas por mergulhadores que estudiosos têm acesso a dados reais dos impactos da poluição nos oceanos.

Reprodução | United Nations Environment Programme

Só nos últimos dias, mais de uma notícia sobre a morte ou sofrimento de animais marinhos devido à poluição estampou manchetes de jornais ao redor do mundo. Na Tailândia, foram encontradas 80 sacolas plásticas no estômago de uma baleia morta. No Reino Unido, um filhote de foca morreu ao ingerir uma.

Um leão marinho no Chile passou um mês estrangulado por um fio de náilon preso em seu pescoço. Uma luva de borracha foi encontrada no estômago de um golfinho encalhado em uma praia britânica. A lista continua. E isso é o que se tem acesso fácil, porque chega à superfície.

Mas a prática do mergulho tem seus próprios impactos aos ecossistemas marinhos. Estudos comprovam que “as comunidades coralíneas podem ser degradadas se submetidas a planos de manejo malfeitos ou à intensa atividade turística”, por exemplo. Isso sem contar o descarte incorreto de materiais, interação com a vida embaixo d’água, entre outras questões.

Reprodução | Nat Geo

A indústria do mergulho não está parada, apenas observando tudo isso de camarote. Por meio de um programa conjunto entre a ONU Environment e a Reef-World Foundation, a iniciativa Green Fins tem trabalhado em unir governos e empresas de mergulho para superar a poluição por plásticos, e limitar o impacto ambiental do mergulho.

Claro que a preocupação em manter os ecossistemas marinhos saudáveis é, de alguma maneira, incentivada por dinheiro. Milhares de empresas compõem a indústria do mergulho. Milhões de clientes que mergulham e praticam snorkel fazem isso para se reconectar com a natureza e testemunhar incríveis paisagens e vida selvagem. Se os oceanos estão poluídos, a busca por esse entretenimento diminui.

É importante entender que, se o mergulho for feito de maneira consciente, ele pode ser muito importante para a conservação dos oceanos. Por essa razão, a Green Fins resolveu adotar de um código de conduta de 15 pontos acima e abaixo da água, que vai bem além do requerido pelo governo.

Os membros da Green Fins têm acesso a um amplo conjunto de ferramentas para ajudar seus funcionários e clientes a adotarem rotinas mais responsáveis. Além de vários cartazes que abordam questões de poluição marinha, e vídeos de instruções que orientam passo a passo as melhores práticas de gerenciamento de lixo em lojas de mergulho e também em barcos.

Exemplo de cartazes produzidos pela inciativa (Reprodução | United Nations Environment Programme)

Outra questão importante do código de conduta é a que leva o membro a realizar limpezas regulares debaixo d’água ou nas praias, com seus convidados ou membros da comunidade. Eles também são orientados a registrar e enviar os dados de todo o lixo coletado. Isso permite que órgãos internacionais como o Coastal Clean Up da Ocean Conservancy tenham informações globais e criem melhores práticas de gerenciamento.

Embora as avaliações da Green Fins sejam uma ótima ferramenta para destacar os desafios ambientais diários de um negócio de mergulho, mudar hábitos não acontece da noite para o dia. A exposição a essas melhores práticas ainda é vital.

Que iniciativas como essa, andando em conjunto com medidas de diminuição do desperdício de plástico e outros poluentes dos oceanos que estão sendo adotadas por diversos países, em um futuro não tão distante sejam suficientes para reverter a situação atual dos oceanos.

Animais marinhos tem o direito de viver em habitats saudáveis, livres dos impactos da ação humana.


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