Golfinhos, focas e lontras são usados como iscas por pescadores


Ameaçados de extinção os botos (golfinhos da Amazônia) estão entre as espécies utilizadas como iscas pelos pescadores | Foto: Divulgação
Ameaçados de extinção os botos (golfinhos da Amazônia) estão entre as espécies utilizadas como iscas pelos pescadores | Foto: Divulgação

Golfinhos, focas e lontras estão sendo mortos por pescadores no mundo inteiro, para serem usados como isca. Além da morte desses maravilhosos seres produzidos pela natureza ser um ultraje, também é uma atividade ilegal, que deixa espécies já vulneráveis, sob ameaça de extinção futura.

Em um relatório que avalia a presença global dessa atividade, os cientistas identificaram mais de 40 espécies de mamíferos aquáticos sendo utilizadas como isca em pelo menos 33 países.

A prática é mais comum em alguns lugares na América Latina e na África, onde os golfinhos são visados e capturados já na intenção de serem utilizados na pesca de tubarões.

Apesar da existência em larga escala comprovada dessa atividade, os autores do novo estudo, publicado na revista Frontiers in Marine Science aproveitando o Dia Mundial do Oceano, em 8 de junho, afirmam que esta questão tem recebido pouca atenção nos círculos de conservação e pesquisa.

A Dra. Vanessa Mintzer, da Universidade da Flórida, tomou conhecimento da questão enquanto trabalhava em sua dissertação de doutorado, que buscava investigar o impacto da atividade, sobre as populações ameaçadas de golfinhos da Amazônia.

“Matar para usar como isca é uma ameaça primária que afeta de forma intensa os golfinhos do rio Amazonas, conhecidos como botos”, disse Mintzer, que liderou o estudo.

O estado atual das populações de botos é um mistério devido à falta de dados disponíveis, mas a caça já é conhecida por ser a maior ameaça para esses mamíferos, juntamente com a perda gradativa de habitat e emaranhamento acidental em linhas de pesca.

“Com essa revisão global, buscávamos descobrir se, e onde, outras espécies eram mortas c para serem feitas de iscas e avaliar possíveis soluções para o problema”, disse a cientista.

Analisando relatos que datam de 1970, a Dra. Mintzer e seus colegas focaram em identificar toda a gama de espécies que estavam sendo usadas como iscas.

Seus esforços nesse sentido foram prejudicados, pois matar a vida marinha, além de ser um ato detestável, é geralmente uma atividade clandestina e muitas vezes ilegal, realizada nas sombras.

Dessa forma, a pesquisadora afirma que a responsabilidade acaba recaindo sobre seus colegas pesquisadores, na busca de dados mais sólidos sobre esta prática, de modo que avaliações assertivas possam ser feitas e seus efeitos sobre as populações vulneráveis de mamíferos aquáticos mensurados.

“Para os cientistas que já trabalham em espécies e locais identificados como ‘pontos quentes’ nesta revisão, os esforços devem começar imediatamente para conseguir uma estimativa desses números”, disse ela.

O problema conhecido como “bycatch” (animais como golfinhos, tartarugas marinhas e pássaros acidentalmente acabando em redes de pesca) tem recebido mais atenção de ambientalistas e cientistas.

Um estudo recente descobriu que dezenas de milhares de tartarugas morrem a cada ano em função da ação de pescadores de pequena escala na costa da América do Sul, e “redes fantasmas” (redes de pesca abandonadas) foram encontradas na região, prendendo centenas de animais não-alvo, muitos deles em estado de decomposição.

No entanto, o problema real da captura intencional desses animais, tem sido totalmente ignorado.

Os pesquisadores por trás do novo relatório pediram insistentemente, urgência aos políticos em votar e criar leis em defesa dessas espécies, como também determinar ações para garantir que sejam cumpridas as leis já em vigor de proteção aos mamíferos ameaçados.

Eles também pediram o envolvimento das populações de pescadores locais, concientizando e mostrando os efeitos da pesca desse mamíferos.

“Levou anos para que fosse aceito que a caça de botos era insustentável e agora as ações de conservação precisam ser imediatas”, afira a Dra. Mintzer.

“Precisamos identificar agora outras populações de animais afetadas pela mesma atividade deplorável, para facilitar ações de conservação em massa”, conclui ela.


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