Mercado de peles enfrenta oposição da indústria da moda chinesa


Nos últimos anos, grandes marcas de luxo, incluindo Gucci, Michael Kors e Jimmy Choo, comprometeram-se a deixar de lado o uso de peles em seus produtos. Agora, o movimento está ganhando força na China, país conhecido por tradicionalmente renegar os direitos animais.

Vários representantes da indústria da moda se reuniram em Xangai na semana passada para o Fórum de Moda Sustentável e Sem Pele, incluindo Grace Chen, Michael Wong e Tiffany Pattinson.

Jerri Ng, editora da InStyle China, discutiu sua decisão de representar a primeira revista de moda a assumir o compromisso de dialogar sobre o fim do uso das peles.

O designer Michael Wong, que já colaborou com artistas como Rimowa e Baccarat, disse no evento: “Somos um dos 30 varejistas na China que assumiram esse compromisso. Se uma marca quer peles em sua coleção, não há necessidade de explorar e assassinar animais para isso. Hoje já existe uma grande variedade de belas peles artificiais”.

Para os ativistas dos direitos animais, no entanto, ainda há muito trabalho a ser feito. Segundo a SPCA, a China responde por 80% do comércio global de peles.

Diversos animais mortos expostos antes de terem suas peles retiradas.
Milhões de animais são mortos por ano para sustentar esse sanguinário mercado da moda. A China é maior comprador.

O evento foi organizado pela ACTAsia, uma organização internacional sem fins lucrativos que atua na China há mais de uma década. Pei Su, CEO da ActAsia, disse: “O crescente interesse dos consumidores de onde as roupas vêm e como elas são produzidas tem sido essencial para que as principais marcas assumam o compromisso de deixar de utilizar peles. ”

“A China parece ser o centro do movimento de proteção animal no leste da Ásia.”, disse Peter Li, professor de Política da Ásia Oriental na Universidade de Houston.

Para consumidores e designers na China que continuam utilizando peles, “este é apenas um tecido tradicional”, disse Grace Chen ao Jing Daily. “Eles vêem isso como uma coisa normal. A história do uso de peles, especialmente no norte da China, faz parte do cotidiano das pessoas. ” Eles só desconsideram todos os maus tratos e crueldades impostos aos animais no processo de extração da pele.

Porém a ACTAsia defende que isso continua a ocorrer por falta de informação acerca das torturas envolvidas no processo.

“Em primeiro lugar, a conscientização sobre o bem-estar dos animais é baixa e a China não entende muito bem de onde vem a pele”, disse um representante da organização.

“Em segundo lugar, com o aumento dos padrões econômicos e do marketing on-line por parte dos varejistas de peles que promovem a pele como um produto premium acessível, muitos consumidores associam a pele ao luxo, à riqueza e ao status. Finalmente, devido ao volume de animais e suas práticas agrícolas muito pobres, a pele está amplamente disponível e é relativamente barata para os consumidores comprarem. ”

Com relação à indústria do luxo, a gigante global Kering continua a usar peles, incluindo raposas, martas, doninhas, coelhos, castores, cangurus, veados e gambás, embora tenham restrições sobre espécies ameaçadas ou traficadas ilegalmente.

Em 2014, a PETA também expôs a prática de alguns comerciantes que vendiam pele e couro de cachorros como sendo de outros animais na China.

Apesar do solidificado mercado cruel que ainda atua no Oriente, ações como a da ACTAsia apontam para uma melhora nesse cenário que faz milhões de vítimas todos os anos. 


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