Parque Nacional de Virunga no Congo fecha para turistas até 2019


O risco à segurança dos animais e dos turistas foi a base para a decisão de fechamento do Parque Nacional de Virunga até 2019 | Foto: Brent Stirton
O risco à segurança dos animais e dos turistas foi a base para a decisão de fechamento do Parque Nacional de Virunga até 2019 | Foto: Brent Stirton

O parque nacional mais antigo da África fechará suas portas aos visitantes até 2019, após a morte de um guarda florestal e o sequestro de dois turistas britânicos, por rebeldes locais neste ano.

Situado na República Democrática do Congo, Virunga é o lar de uma população mundialmente conhecida de gorilas das montanhas, que infelizmente tem sido atingida pela crescente instabilidade e violência no país

Pelo menos 12 guardas foram mortos em confrontos com milícias e contrabandistas em Virunga nos últimos 10 meses, um dos períodos mais sangrentos da história do parque.

Em maio, uma das muitas milícias locais, conhecidas como Mai Mai, atacou um veículo que transportava turistas da cidade de Goma, a cerca de 48 quilômetros da sede do parque, até suas acomodações. Uma guarda florestal, Rachel Makissa Baraka, de 25 anos, foi morta a tiros, um motorista congolês foi ferido e os dois turistas britânicos, Robert Jesty e Bethan Davies, foram detidos pela milícia durante a madrugada.

As atividades turísticas no parque foram inicialmente suspensas até 4 de junho, enquanto o incidente era investigado. Mas em uma declaração nesta segunda-feira, Emmanuel de Merode, o belga diretor do parque, afirmou que a decisão em fechar Virunga aos turistas até o final do ano foi tomada com relutância, porém, é o melhor a ser feito tanto pela segurança dos animais como dos turistas. Será feita uma revisão completa das precauções de segurança e adquirido um reforço de 700 guardas para atuar na vigilância do parque.

“A segurança dos nossos visitantes será sempre a nossa maior prioridade. É evidente que o Virunga é profundamente afetado pela insegurança regente e que será desta forma por algum tempo. Para que o Virunga possa ser visitado com segurança, medidas muito mais robustas do que as antigas são necessárias agora”, disse Merode em um comunicado, em que descrevia a decisão como “profundamente difícil”.

Mais de 180 guardas florestais foram mortos em Virunga nos últimos 20 anos, tornando o parque um dos projetos de conservação mais perigosos do mundo. Só em abril último morreram seis guardas em uma emboscada. A perda de vidas foi a pior em um único incidente na história do parque.

O parque, que recentemente anunciou que os gorilas já somam mais de mil indivíduos, enfrenta diversas ameaças à segurança, incluindo produção ilegal de carvão, contrabando, caça, e ainda enfrenta a milícia Mai Mai.

Nos últimos meses, a República Democrática do Congo demonstrou estar a beira de mergulhar novamente na terrível onda de violência que ocorreu durante a guerra civil que tomou o país de 1997 a 2003, na qual cerca de 5 milhões de pessoas morreram. A violência foi agravada pela contínua instabilidade política, com o presidente Joseph Kabila se recusando a renunciar após o final de seu segundo mandato em 2016. Novas eleições foram marcadas para dezembro deste ano.

Observadores atentos irão notar que a reabertura do Virunga foi planejada para ocorrer após essa data crítica, quando as tensões já devem ter diminuído. O Parque Nacional de Virunga foi fundado em 1925 pelas autoridades coloniais belgas.


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