ALTERNATIVA

Valor de mercado da carne artificial deve bater 20 milhões de dólares até 2027

Crescente demanda pela carne, interesse das indústrias em produzir alternativas para a proteína de origem animal e aumento de grandes investidores explicam o fenômeno

Um estudo recém divulgado pela empresa Markets and Markets aponta um fato curioso e inesperado: até 2027 espera-se que a indústria da “carne artifical”, ou sintética, criada em laboratório, valha cerca de 20 milhões de dólares.

De acordo com o mesmo estudo, até 2021 ela deve atingir os 15 milhões de dólares, mantendo uma taxa de crescimento de, em média, 4% ao ano.

Esse aumento extraordinário se deve a uma série de fatores, que vão desde o interesse do público até o dos próprios produtores, que investem cada vez mais em pesquisas e testes para a produção e comercialização desse alimento.

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A previsão é de que os Estados Unidos sejam os líderes de mercado, já que empresas como a JUST e a Memphis Meats pretendem começar a comercializar a carne sintética já nos próximos anos. Logo atrás estará a Europa, seguida da África e de Israel.

Outras marcas que também devem lançar em breve os produtos são a MosaMeats, na Holanda, a SuperMeat em Israel, e a Integriculture Inc., no Japão.

Mesmo grandes empresas de processados, como Tyson Foods e Cargill, e investidores famosos, como Bill Gates e Richard Branson, têm apostado nesse ramo.

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O interesse do público na carne também foi um fator levado em consideração na pesquisa feita pela Markets and Markets.  

Uma enquete aplicada recentemente revelou que um terço da população está a favor dessa carne criada em laboratório. No Reino Unido, 41% dos entrevistados disseram que provariam a carne, enquanto uma pesquisa feita pela start-up Memphis Meats diz que 61% tem interesse no produto.

A preocupação com o futuro do planeta, já que é inegável o papel decisivo da indústria da carne nos sérios danos que causamos ao meio ambiente, tem sido um fator de peso para a mudança na mentalidade das pessoas.

A carne sintética é uma alternativa realmente livre de crueldade?

Algumas ONGs e grupos de defesa animal, falantes de língua inglesa, chamam a carne sintética de nomes como “clean meat” (carne limpa) ou “slaughter-free meat” (carne sem matança). É o caso do OneGreenPlanet, site de onde algumas informações foram retiradas.

O processo de produção dela, no entanto, envolve o uso de células tronco de um animal, que depois são cultivadas no laboratório até que os tecidos se desenvolvam e ela esteja adequada para consumo.

Em tese, seria livre de crueldade, mas ainda não há muito a ser afirmado sobre essa questão. O que é inegável é que as pessoas estão chegando à conclusão de que a indústria da carne é insustentável, e procurando alternativas a ela. E que ainda ouviremos muito falar dessa tal carne artificial.