ATROPELAMENTO

Cão morre após esperar três anos por tutor em pátio de hospital

Negão, como era chamado, foi atropelado no estacionamento do hospital e não resistiu aos ferimentos.

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16/05/2018 às 15:00
Por Redação

Um cachorro que viveu três anos no pátio do Hospital Ruth Cardoso, no município de Balneário Camboriú (SC), à espera do tutor que morreu, foi atropelado e não resistiu aos ferimentos.

(Foto: Luiz Carlos Souza / Especial)

Negão, como era chamado, era acompanhado pela ONG Viva Bicho. A fundadora da entidade, Beatriz Machado, conta que o cão foi atropelado enquanto tomava sol no estacionamento do hospital. Um motorista saía com um carro do local e, por não ter visto Negão deitado no chão, o atropelou. Ao perceber o que aconteceu, ele de imediato parou o veículo e tentou ajudar, mas não foi possível salvar a vida do cachorro.

A morte do cão abalou não só a representante da ONG, como também funcionários do hospital que estavam acostumados a conviver com Negão.

“Era um cachorro muito dócil. Um animal é assim, se a gente dá carinho, recebe carinho em troca também”, afirmou Arlindo Cunha, que trabalha na manutenção do jardim do hospital. As informações são do portal GaúchaZH.

O cachorro, que ficou conhecido no país inteiro após a história dele ser divulgada em 2016, quando ele já vivia há oito meses no pátio do hospital, era tutelado por um homem em situação de rua que foi internado com infecção generalizada após ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Amigo fiel, Negão correu atrás da ambulância durante todo o trajeto até o hospital.

Por não ter visto o momento em que o tutor foi retirado sem vida do hospital, Negão, que associou o barulho da sirene com a presença do homem, passou a correr toda vez que via uma ambulância chegar, na esperança de encontrar o amigo que, para ele, era tão importante.

Foi o ato de correr atrás das ambulâncias que chamou a atenção dos funcionários do local. Após descobrirem a triste história do cachorro, eles decidiram cuidar do cão e deram a ele, inclusive, sobrenome. O animal foi, então, batizado de Negão Cardoso.

Adotado e até levado por desconhecidos por diversas vezes, Negão sempre retornou ao hospital. No início, ele recebia visitas e cuidados de várias pessoas, mas depois a ajuda diminuiu e, por isso, a ONG Viva Bicho assumiu o caso e passou a fornecer alimentação ao cão e a levá-lo para tomar banho.

A presença de Negão, que alegrava as pessoas que o conheciam, deu lugar agora ao vazio da saudade, acompanhado do exemplo de fidelidade dado por ele que, mesmo após a morte, permanece.