"ÚLTIMO RECURSO"

Caçadores de animais selvagens no Quênia enfrentarão pena de morte

Depois da morte do último rinoceronte branco macho que restava na terra, governo queniano resolver tornar as leis de proteção ambiental mais estritas

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16/05/2018 às 06:00
Por Bárbara Alcântara, ANDA

Durante um evento em homenagem a Sudão, o último rinoceronte branco do norte, que morreu em março de 2018, ficou nítida a crescente preocupação do governo do Quênia em criar leis mais severas de proteção aos animais.

Muito mobilizado em entrevista para o portal de notícias africanas Xinhuanet, Najib Balala, ministro de Turismo e Vida Selvagem do Quênia, revela que, em decorrência do episódio, eles votarão uma lei que ficará no lugar de outra aprovada em 2013, que está inativa.

Segundo essa lei, os infratores pegariam sentença de morte ou então pagariam uma fiança de 20.000 dólares. Mas como apontado pelo ministro, essas medidas não foram suficientes para impedir a caça.

Assim que as alterações forem aprovadas “quem cometer crimes contra a vida selvagem vão ter que enfrentar a pena de morte de acordo com cada lugar;” conta. A medida é extrema, mas foi a única solução encontrada para tentar acabar com o assassinato dos animais.

Uma das últimas rinocerontes fêmeas ainda vivas (Reprodução | Ol Pejeta Conservancy)

Quando Sudão morreu, ele estava vivendo na reserva ambiental Ol Pejeta Conservancy, protegido por homens armados. Richard Vigne, o CEO da organização sem fins lucrativos, observa que a trágica história do rinoceronte será guardada para sempre como um sinal ao mundo. Espécies de animais estão sendo extintas do planeta porque insistimos em explorá-las por pura ganância e egoísmo.

Em colaboração com a Postal Corporation of Kenya e a Kenya Wildlife Service, Ol Pejeta Conservancy lançou uma série de selos postais em homenagem aos rinocerontes brancos. A organização compartilhou no Facebook as imagens, e disse “Os selos trilharão um longo caminho para preservar as heranças do Quênia além de aumentar a consciência global sobre a difícil situação em que se encontra o rinoceronte branco.“

Vigne conta que ainda existem duas rinocerontes fêmeas vivas, e que a Ol Pejeta junto com a Kenya Wildlife Service estão trabalhando arduamente com a comunidade científica para salvar a espécie dos rinocerontes brancos, por meio de inseminação artificial.

No evento em homenagem a Sudão, foi anunciado também que os restos mortais do rinoceronte serão preservados em um museu de conservação nacional ainda a ser estabelecido pelo ministro de turismo do país.