Cardiologista alerta sobre doenças causadas pelo consumo de carne e laticínios


Arquivo Pessoal

Ela é vegana há 10 anos e docente na Faculdade de Medicina do ABC, que não utiliza animais vivos no ensino há 10 anos. Em sua trajetória profissional, Odete observa também a falta de informação sobre os problemas de saúde causados pelo consumo de produtos animais. Nesta entrevista exclusiva à ANDA, ela discute essas enfermidades, além da importância do ativismo e da conscientização do público.

ANDA: Quais são os problemas cardíacos que podem ser provocados pelo consumo de carne e de laticínios?

Odete Miranda – A maior causa de mortalidade no Brasil e no mundo são as doenças cardiovasculares, seguida por neoplasias (cânceres). Sabemos que o maior fator contribuinte é o estilo de vida para ambas as causas de morte. Assim os produtos de origem animal são os que contribuem para o aumento do colesterol ruim, promovendo lesão no interior do vaso sanguíneo que culmina com a formação de placas de gordura, predispondo a doenças como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, doença obstrutivas nas artérias dos membros inferiores e doença renal.  Muitas pessoas acreditam que o consumo de carne vermelha seja o vilão para o aumento do colesterol, bem como as frituras. Porém, vários tipos de carne branca também possuem alto teor de gordura saturada que também são nocivos à saúde humana. Quem tiver interesse pode consultar a tabela brasileira de composição de alimentos.  O que se preconiza é eliminar os ácidos graxos trans da dieta, reduzir o consumo de gordura saturada (animal), aumentar o consumo de poliinsaturados e monoinsaturados (gordura vegetal), reduzir açucares e incluir na dieta frutas, grãos e hortaliças.  Acredito que o mais fácil é saber que tudo que vem do animal tem gordura saturada.

ANDA: Quais são os benefícios trazidos por uma alimentação sem crueldade a nossa saúde que você observa em seus pacientes?

Odete Miranda – A grande maioria dos pacientes é onívora, e essa maioria também possui colesterol fora da meta estipulada para controle das doenças ateroscleróticas. Verificamos pacientes com insuficiência arterial periférica e que possuem muitas dores nas pernas principalmente ao caminhar, outros com angina pectoris, infartos do miocárdio, reinfartos, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, doença obstrutiva em carótidas, doença renal crônica etc. Ao abordá-los e orientá-los que devem reduzir o consumo de produtos de origem animal, no primeiro momento sinto que há uma decepção e vem a pergunta “O que eu vou comer então?” e aí conversamos sobre as outras possibilidades mais baratas e mais saudáveis. No decorrer do acompanhamento, eles percebem que realmente sentem-se melhor, os níveis laboratoriais de seus exames melhoram e os renais crônicos otimizam a função renal.  O que mais os motiva a reduzir o consumo de carne é a própria saúde, não a crueldade em que o animal é submetido.

ANDA: Além dos problemas ambientais, a  ONU já reconheceu a associação entre o consumo de carne  e doenças humanas. De que forma isso pode incentivar as pessoas a optar pelo veganismo?

Odete Miranda – O ser humano tem uma preocupação imensa pela sua sobrevida, se isso lhe conferir saúde e houver uma divulgação extensa, as pessoas reduzirão em muito o consumo de carne. O que percebo quando abordo o paciente nos seus hábitos de vida ele encara o comer carne como algo necessário para sua saúde, muitos falam: “mas eu posso não comer carne alguma?  Falta informação na sociedade. Falta informação entre profissionais da saúde.

ANDA: A forma como o veganismo é retratado na imprensa também pode contribuir ou não com esse cenário. Como você avalia a atuação da imprensa quanto a este assunto desde o início da sua carreira?

Odete Miranda – A imprensa é uma fatia da sociedade, frequentemente vincula churrasco com encontros, amigos, alegria, lazer. Essa propagação de informações vai reforçando o comportamento de que em toda comemoração deve ter carne, assim como bebida para que as pessoas possam se divertir.  Bem no inicio da minha carreira, pouquíssimo se ouvia falar em veganismo. Agora já há um pouco mais de divulgação, mas ainda há muita resistência na mídia, no governo, na sociedade. Veganismo pressupõe término da indústria da carne.

ANDA:  Em sua opinião, a crescente difusão de informações sobre o veganismo aumentou a conscientização sobre os direitos animais ou não? O que pode ser feito para que mais pessoas se tornem veganas?

Odete Miranda – Sem dúvida, as pessoas passaram a olhar os animais como seres sensíveis, que merecem respeito. O mundo está cada vez mais aberto a reconhecer os animais como seres sensíveis que pensam, interagem, possuem desejos próprios. Não podemos mais escravizá-los.  Informação, ética universal.  Todas as pessoas devem saber o que realmente se passa com os animais que são mortos, o sofrimento imenso que cada um desses seres vive em toda a sua vida e a responsabilidade que cada um de nós possui ao financiar a indústria da morte. Por outro lado, também devem saber que comer carne não as fortalece, não as cura e não torna um encontro mais agradável entre seus pares. Devem saber que esses alimentos são contribuintes para as doenças do coração e para o aparecimento de diversos tipos de cânceres e, finalmente, devem saber que precisamos ser éticos em todas as esferas. Só assim valerá ser humano.

 

 

 

 


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