Usar penas de animais em roupas e acessórios é eticamente correto?


As penas de animais, em maior menor quantidade, sempre estiveram presentes no mundo da moda. De Coco Chanel a Cristóbal Balenciaga, de Christian Dior a Yves Saint Laurent – todos fizeram uso desse material em suas obras.

Esse ano parece que os modelos com penas estão para todos os lados novamente: destaque nos vestidos de Angelina Jolie para o Critics’ Choice awards, de Lupita Nyong’o no festival de Cannes e Katy Perry no baile Met Gala.

Reprodução | The Guardian

O tapete vermelho que nos dias atuais tem dado espaço para protestos e ativismos – Miley Cyrus fez um discurso no Met Gala sobre a indústria fashion não precisar de tortura para existir – , acabou deixando esse buraco a ser preenchido.

É fato que muitas pessoas negam o uso de roupas e acessórios feitos a partir de peles de animal. Casos como o da Semana de Moda de Londre que vetou desfiles com peles de animais e de marcas grandes como Versace e Tom Ford abolindo o uso desses materiais tem sido cada vez mais recorrentes.

Mas por que então as pessoas continuam achando que usar penas de animais são uma prática aceitável?

Reprodução | The Guardian

“As enquetes mostram que a maioria esmagadora da população britânica nunca sonharia em usar pele animal – porque a maior parte das pessoas, agora, tem uma ideia clara sobre o sofrimento passado pelos animais nas fazendas de pele ou quando são capturados em armadilhas nos seus habitats naturais,” explica a diretora de projetos corporativos da ONG PETA, Yvonne Taylor, em entrevista ao jornal The Guardian.

“Entretanto, muitos consumidores ainda estão desavisados sobre a crueldade inerente na indústria de penas.”

De acordo com a ONG, “trabalhadores da China – fonte de cerca de 80% das penas do mundo todo – restringem gansos forçadamente e arrancam suas penas enquanto eles gritam e lutam.”

Recentemente, inclusive, a organização fez denúncias a uma marca de roupas canadense, Canada Goose, de maus-tratos aos gansos na sua rede de fornecedores.

Reprodução | The Guardian

Ao contrário da pele, para conseguir as penas, o animal não necessariamente precisa morrer. Este é o argumento oferecido por empresas que não tem o intuito de abolir o uso do material em suas produções.

Inclusive, existe uma organização chamada Responsible Down & Feather (RDF), com uma regulamentação que exige que os fornecedores tratem os animais de forma “humanitária”, respeitando seu bem-estar, e aprovando apenas empresas que trabalhem com animais saudáveis.

Enquanto muitos acreditam que a regulamentação é suficiente, Taylor bate na tecla de que é impossível encontrar uma forma 100% segura de dizer se os animais estão sendo bem tratados ou não. Penas são todas iguais, então não há uma maneira de dizer se aquela provém de um animal em sofrimento ou de um bem alimentado e bem cuidado.

Outras pessoas argumentam ainda que as penas são subproduto da produção de alimentos. Os animais já estão mortos, e as penas são apenas o que resta de sua carcaça. Esse é o caso de Stephen Jones, que faz questão de usar somente penas de animais criados pela indústria alimentícia. Apesar disso, ele conta que está aberto a alternativas: “Eu faço penas de tule, plástico e outros materiais.”

Reprodução | The Guardian

A PETA e outros grupos de defesa dos animais batem exatamente nesta tecla. Se existem maneiras de produzir as penas com materiais sintéticos, que não envolvam qualquer tipo de sofrimento, qual é a necessidade de continuar utilizando o produto oriundo da crueldade animal?

Stella McCartney, estilista britânica, faz isso com o couro e, em um mundo ideal, todos os revendedores seguiriam o exemplo de marcas como Topshop, Sweaty Betty e Asos, que baniram as penas de seus produtos.

Se há alternativas no mercado, não há justificativa alguma para que continuemos explorando e abusando dos animais em uma indústria tão cruel quanto a de peles e penas de animais.


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