Ferramenta que detecta terremotos pode ajudar a salvar elefantes


O barulho que um elefante faz com sua tromba chega a estrondosos 110 decibéis. É equivalente ao que você ouve em um show de rock.

O impacto da caminhada do animal, com seus 6 mil kg, produz vibrações que se propagam pelo solo – da mesma forma que as ondas sísmicas, responsáveis por terremotos.

Agora, os cientistas da Universidade de Oxford atestaram que é possível encontrar elefantes usando os mesmos aparelhos que hoje são usados para detectar abalos sísmicos. E isso pode ajudar a salvá-los.

Elefantes podem ter suas vidas ajudadas por tecnologia que controla abalos sísmicos (Foto: Pixabay)
Elefantes podem ter suas vidas ajudadas por tecnologia que controla abalos sísmicos (Foto: Pixabay)

Segundo o estudo, publicado na revista Current Biology, as atividades dos animais– como caminhar, correr, grunhir – geram vibrações sísmicas distintas. Para descobrir isso, os pesquisadores colocaram geofones (dispositivos usados para captar vibrações da terra) próximos a elefantes selvagens no Quênia.

Eles podiam ser detectados até quando estavam parados, pois seu grunhido já produz vibrações de baixa frequência no solo — do mesmo jeito que você sente o chão tremer no show de rock.

Os cientistas conseguiram detectar as vibrações a quase seis quilômetros de distância. Isso é muito mais que se imaginava – para se ter uma ideia, o barulho emitido pela tromba de um elefante, que falamos no início da matéria, viaja por “apenas” três quilômetros pelo ar.

Os cientistas já sabiam que elefantes são capazes de se comunicar a longas distâncias através dessas vibrações. Pesquisadores já viram, por exemplo, esses gigantes fugirem para lugares mais altos ao detectarem sinais de tsunamis a quilômetros de distância.

Outro indício disso é um estranho hábito entre mamães elefantes: cientes de uma ameaça, elas pisam forte no chão – possivelmente, para alertar outros elefantes.

A descoberta pode ajudar a monitorar os elefantes e contribuir para a preservação da espécie, que vive ameaçada pelo comércio ilegal de marfim, material que forma as presas do animal e é vendido por valores altíssimos.

Fonte: SuperInteressante


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