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Rãs podem ter adquirido resistência a fungo que causou “crise de extinção dos anfíbios”

Após epidemias devastadoras, estudo do Panamá encontra evidências de resistência das rãs a fungo responsável por dizimar populações de anfíbios

Rãs podem ter adquirido resistência a fungo responsável pela
Na imagem, um sapo dourado do Panamá. Rãs podem ter adquirido resistência a fungo responsável pela "crise de extinção dos anfíbios". (Foto: Cori Richards Zawacki)

Após anos de dizimação e resistência, uma epidemia responsável por eliminar espécies de anfíbios do mundo poderia finalmente chegar ao fim. Populações globais de rãs e salamandras têm passado por uma “crise de extinção de anfíbios” desde, pelo menos, a década de 1980. Especialistas acreditam que mais de 100 espécies poderiam ter desaparecido para sempre, e as populações de muitas outras estão esgotadas devido à disseminação do mortal fungo quitrídio.

“Imagine uma doença mortal que afeta não apenas humanos, mas outras espécies de mamíferos como cães, gatos e vacas”, disse o biólogo Roberto Ibanez, do Smithsonian Tropical Research Institute, em entrevista ao The Independent, enfatizando a escala da epidemia causada por este fungo.

Resultados recentes de um estudo de longo prazo conduzido pelo Dr. Ibanez e seus colegas no Panamá sugerem que o pior desta doença pode ter passado: alguns anfíbios na região parecem ter desenvolvido resistência à infecção. Os cientistas conseguiram obter um relatório de status sobre a população panamenha. Nove de doze das espécies de rãs analisadas mostraram recuperação considerável nos últimos anos.

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Para saber o que aconteceu para salvar esses anfíbios, outra equipe de pesquisa observou a doença se deslocando da Costa Rica para o Panamá há cerca de 10 anos e reuniu dados sobre populações de rãs durante o surto da doença.

Rãs podem ter adquirido resistência a fungo responsável pela "crise de extinção dos anfíbios". (Foto: Douglas Woodhams)
Rãs podem ter adquirido resistência a fungo responsável pela “crise de extinção dos anfíbios”. (Foto: Douglas Woodhams)

“Como temos amostras de patógenos e hospedeiros de antes, durante e depois da epidemia, podemos perguntar se algumas rãs sobreviveram porque o patógeno ficou mais fraco com o tempo ou porque o sistema imunológico ou resistência das rãs aumentou com o tempo”, disse Jamie Voyles, ecologista de doenças na Universidade de Nevada.

Os cientistas coletaram milhares de amostras de pele de sapo e descobriram que a presença do fungo causador da doença caiu em comparação com estudos anteriores. Uma razão para esse declínio poderia ser que o próprio fungo se tornou menos potente, mas a análise de amostras retiradas das rãs revelou que o que, de fato, deve ter mudado é a capacidade das rãs de resistir à doença. Estes resultados foram publicados na revista Science.

Esta ideia foi confirmada quando os cientistas descobriram que as rãs que foram mantidas em cativeiro longe da doença desde antes de seu surto eram mais suscetíveis à infecção do que suas contrapartes selvagens. E por mais que o fungo não tenha mais o efeito mortal que já causou em sapos selvagens, ele ainda está à espreita de qualquer anfíbio que não tenha tido a sorte de desenvolver resistência a ele.