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A luta para salvar a vida dos elefantes está ganhando forças na África

A ininterrupta batalha para salvar os animais está mostrando resultados com mortes em declínio e rebanhos mostrando sinais de recuperação no continente africano.

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16/04/2018 às 20:30
Por Stefany da Costa, ANDA

Especialistas estão monitorando elefantes ameaçados de extinção em uma reserva florestal na Tanzânia, onde acontece a pior e cruel caça de animais do mundo.

Um operação realizada na África foi parte de um esforço de um ano para rastrear 60 elefantes dentro e nos arredores da Selous Game Reserve, na Tanzânia, amplamente reconhecida como o ponto principal das caças que dizimaram os elefantes africanos nos últimos anos. A agência de notícias, Associated Press, viajou para a área para registrar como a batalha para salvar os elefantes do continente está ganhando algum ímpeto, com mortes em declínio e alguns rebanhos mostrando sinais de recuperação.

Os mercados marfim estão diminuindo em todo o mundo, mas é muito cedo para declarar uma reviravolta. Os caçadores estão se mudando para novas áreas e os traficantes estão se adaptando, auxiliados pela corrupção arraigada. A taxa anual de mortes de elefantes ainda excede a taxa de natalidade. E a invasão de humanos nos habitats está reduzindo o alcance dos animais.

“A tendência da caça está diminuindo, mas ainda temos um longo caminho a percorrer antes que possamos nos sentir confortáveis ​​com o futuro dos elefantes”, disse Chris Thouless, do Save the Elephants, um grupo defensor dos direitos animais sediado no Quênia.

Ameaçados de extinção, os elefantes estão sendo monitorados na Tanzânia.

Elefantes estão sendo monitorados na Tanzânia. (Foto: pinterest.fr)

Em um movimento para reprimir caçadores e traficante de animais, nos Estados Unidos a proibição do marfim entrou em vigor em 2016  e o Reino Unido anunciou este mês a proibição das vendas de marfim. Se a caça for controlada na Tanzânia, há esperança de que a matança de elefantes possa ser evitada em outras partes do continente africano.

A população de elefantes da África despencou de cerca de 1.900 para pelo menos 415 mil atualmente. Inteligentes e emocionais, com comportamento social altamente desenvolvido, os elefantes foram caçados durante séculos. A proibição do comércio de marfim através das fronteiras internacionais entrou em vigor em 1990, porém muitos países continuaram a permitir a compra e venda de marfim no mercado interno.

Somente na Tanzânia, a população de elefantes diminuiu em 60%, para 43 mil entre 2009 e 2014, segundo o governo. Uma contagem na área de Selous-Mikumi, no ano anterior, acrescentou 23 carcaças de elefantes caçados, apenas 20% do número encontrado quatro anos antes. E a caça de elefantes africanos diminuiu para níveis anteriores a 2008 depois de atingir um pico em 2011, de acordo com a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES).

Na região de Selous, na Tanzânia, mais elefantes recém-nascidos são visíveis e eles estão se movendo mais amplamente fora de áreas protegidas oficialmente, segundo Edward Kohi, principal pesquisador do Instituto de Pesquisa de Vida Silvestre e líder do programa ‘GPS collaring’. As coleiras são projetadas para permitir que os guardas florestais rastreiem o movimento dos elefantes e, em seguida, mobilizá-los para protegê-los, caso sigam para locais de caça. Ao receber dados transmitidos por satélite em telefones celulares, os guardas-florestais também podem interceptar elefantes que chegam a áreas urbanas ou a campos de cultivo.

Ações para reprimir os criminosos também ocorreram. O presidente da Tanzânia, John Magufuli, que tomou posse em 2015, assumiu uma linha dura contra a crueldade animal e as autoridades prenderam suspeitos importantes ligados a caçadores.

No entanto, quando ganhos são feitos em uma área, como a Tanzânia, os assassinatos se intensificam em outro lugar, como a reserva do Niassa em Moçambique.

Algumas gangues de caça no Niassa são tanzanianas e há muito movimento na fronteira que inclui outros negócios ilícitos, incluindo madeira e minerais, disse James Bampton, diretor de Moçambique da Wildlife Conservation Society, sediada em Nova York. O grupo co-administra o Niassa com o governo.

Existem provavelmente menos de 2 mil elefantes em Niassa, segundo Bampton. Isso é uma pequena fração do número estimado há uma década no principal refúgio de elefantes de Moçambique. Os sequestros periódicos de marfim e chifre de rinoceronte confiscados em Moçambique também levantam preocupações sobre o acordo oficial com os traficantes.

O tráfico de animais é a grande causa da ameaça de extinção dos elefantes.

O tráfico de marfim é a grande causa das mortes de elefantes. (Foto: pixabay)

Além disso, outro fato preocupante é a evidência do aumento do processamento de presas de marfim em joias e acessórios na África, ao invés do antigo método de enviar marfim bruto para fora do continente. Isso permite que os traficantes transportem marfim em quantidades menores que são difíceis de serem detectadas e evitam o aumento das operações de esculpir em marfim na Ásia.

Apenas dois dos cinco elefantes monitorados foram colocados ao longo de três dias no parque Mikumi. Os conservacionistas abstiveram-se de disparar matriarcas de elefantes, preferindo fêmeas mais jovens que sempre seguirão o grupo. Os elefantes exibiram seus laços sociais em um momento, recuando para um círculo defensivo depois de ouvir o estampido da arma de dardos. Quando uma fêmea foi atingida, os outros pareciam tentar amparar sua companheira antes de fugir.

Os traficantes suspeitos são uma ameaça além dos elefantes. Em agosto de 2017, o conservacionista Wayne Lotter, que auxiliou as autoridades da Tanzânia a desmantelar algumas operações de contrabando de marfim, foi assassinado em Dar es Salaam. Oito pessoas foram presas pelo assassinato, incluindo dois funcionários de banco e vários empresários.

A região de Selous-Mikumi, na Tanzânia, é conhecida como um dos maiores campos de extermínio para elefantes africanos, mas o vasto deserto de cerca de 60 mil quilômetros quadrados ainda oferece esperança para o maior animal terrestre do mundo.

“Em 50 a 100 anos, quando a população humana estiver subindo rapidamente, essa será uma das áreas importantes para a conservação dos elefantes”, finalizou Kohi.