A corrida de cavalos treinados mais famosa do mundo, a Grand National, registra números recordes de mortes de animais no que é considerado um ‘esporte de tradição’ no Reino Unido.

A lista de mortes de animais é extensa. Segundo o Metro, 43 cavalos já morreram na Grand National até o início de 2018. Agora, mais uma morte entrou para a lista.

Mais uma morte de um cavalo, recentemente do cavalo Lilbitluso em abril de 2018, na corrida Grand National, gerou revolta de quem é contra a crueldade animal. (Foto: GettyImages)
Mais uma morte de um cavalo, recentemente do cavalo Lilbitluso em abril de 2018, na corrida Grand National, gerou revolta de quem é contra a crueldade animal. (Foto: GettyImages)

Nos tradicionais dias de Grand National de 2018, em Aintree, Reino Unido, foi anunciado que o cavalo Libitluso foi morto na quinta-feira, dia 12 de abril. Libitluso era um belo animal de 10 anos de idade, treinado por John O’Shea, e caiu durante a corrida. Devido aos graves e extensos ferimentos, o animal foi morto por decisão dos veterinários que o atenderam.

A Grand National é projetada para ser uma longa corrida, além de punitiva e perigosa para os cavalos. Quarenta cavalos forçados a correr a velocidades alucinantes competem por espaço em um percurso de inúmeros de obstáculos e saltos – incluindo Becher’s Brook, obstáculo apropriadamente apelidado de “cerca assassina” – e terrenos perigosos. “É um desastre esperando para acontecer”, comentou Elisa Allen, diretora do PETA do Reino Unido, para o The Guardian.

“Alguns cavalos batem de cara no chão, enquanto outros colidem uns nos outros”, complementou Elisa. Dezenas de mortes de cavalos estão sendo contabilizadas na Grand National de Aintree, e ainda assim as corridas continuam.

A corrida de 2018 parecia não computar mais mortes de cavalos, mesmo após o cavalo Saint Are tendo passado por necessidade de consulta veterinária no decorrer do domingo, dia 15 de abril. Porém, a tragédia anual do Grand National já havia acontecido com a morte trágica de Lilbitluso na quinta-feira, após queda do animal na corrida Foxhunters ‘Chase.

Denúncia

A People for the Ethical Treatment of Animals, PETA (Pessoas em prol de Tratamentos Éticos para Animais, em tradução literal) denunciou o absurdo da corrida mais uma vez após a morte de Lilbitluso, e exigiu que a emissora ITV, responsável pela transmissão da Grand National, retirasse a cobertura da corrida da televisão – o que não aconteceu.

Em um comunicado, a PETA anunciou: “A ITV está transmitindo o Grand National, mesmo sendo um evento cruel que mate cavalos. Por favor, enviem uma mensagem para o presidente da empresa, Sir Peter Bazalgette, e peça a ele que retire o Grand National das nossas telas”.

A morte de Lilbitluso foi a primeira em corridas britânicas em abril, e aconteceu depois que seis cavalos foram mortos durante o Festival Cheltenham, em março deste ano.

O cavalo Libitluso foi morto no dia 12 de abril na Grand National. O animal caiu durante a corrida e teve graves ferimentos. Foi morto por decisão dos veterinários que o atenderam.
O cavalo Libitluso foi morto no dia 12 de abril na Grand National. O animal caiu durante a corrida e teve graves ferimentos. Foi morto por decisão dos veterinários que o atenderam.
(Foto: Animal Aid)

Foi anunciado em comunicado por organizadores da Aintree que “enquanto competia no Chase do Randox Foxhunter em Aintree, Lilbitluso caiu e foi rapidamente atendido por nossos especialistas em veterinária”.

“Infelizmente, a natureza do ferimento significava que era necessário colocá-lo para baixo humanamente por razões de bem-estar”, reforçou o comunicado. “Nossas simpatias são muito com seus donos e com a equipe que cuidou dele diariamente”.

Com mais de 7 km, a Grand National é uma das corridas mais longas do mundo – e uma das mais controversas, já que se baseia em cima da exploração e tortura de animais, já que os cavalos pagam os riscos da corrida com suas vidas, passando por sofrimento imensurável.

A PETA ainda reforçou seu posicionamento contra a Grand National e à exibição da corrida, explicando: “Toda vez que os cavalos são forçados a pular obstáculos excessivamente altos, são colocados em uma tremenda pressão nas pernas dianteiras esguias, resultando em pescoços, costas e pernas quebrados. Muitos sofrem ataques cardíacos no curso ou desenvolvem condições médicas debilitantes, incluindo hemorragias nos pulmões e úlceras gástricas”.

Além disso, “quando os cavalos ficam muito velhos ou param de se sair bem o suficiente nas corridas para serem lucrativos, eles geralmente são” aposentados” e encaminhados para a morte encomendada. Estima-se que cerca de mil cavalos da indústria de corridas são mortos em matadouros na Grã-Bretanha todos os anos e transformados em comida de cachorro ou carne barata. Outros, enfrentam terríveis viagens de exportação de cargas vivas de animais para a Europa. ”