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Exploração animal é perpetuada por jovens carroceiros em MG

24 de abril de 2018
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A exploração de cavalos forçados a puxar carroças é uma prática antiga, que existe desde o século 17, e não chega ao fim em Belo Horizonte (MG) devido à presença de jovens carroceiros que decidem fazer uso da tração animal.

(Foto: Divulgação)

Daniel Nogueira, de 18 anos, conta ter começado a trabalhar com transporte de entulho, diante da falta de oportunidades na vida, aos nove anos. Primeiro, auxiliou outras pessoas que faziam o mesmo trabalho e, depois, aos 11 anos, comprou a primeira carroça. Tempos depois, o jovem encontrou serviço como padeiro, mas não deixou de ser carroceiro.

Também com 18 anos, o carroceiro Ismael Santos pretende comprar outras carroças e cavalos, que lamentavelmente são tratados como mercadorias e comercializados, para se tornar empresário no setor que explora animais para o transporte. Atualmente, ele faz atividades como carroceiro e também mantém um funcionário, de 34 anos.

A prática, entretanto, é extremamente cruel para os animais, que são obrigados a realizar tarefas para benefício humano e, com isso, não só não impedidos de viver de acordo com instintos e vontades próprias, como frequentemente são explorados à exaustão e vítimas de maus-tratos.

Para combater a exploração e a crueldade imposta aos cavalos pelas carroças, o projeto de lei 142/2017, que tramita na Câmara Municipal de Belo Horizonte, de autoria do vereador Osvaldo Lopes, pretende reduzir gradativamente o número de veículos de tração animal na cidade para que, num período de dez anos, todas as carroças sejam substituídas por motos com caçambas. A mudança beneficia os animais e contribui também com o trabalho dos carroceiros.

“A proposta é conseguir a abertura de crédito com algum banco de desenvolvimento para que essas pessoas consigam comprar as motos. Elas passariam a ter mais dignidade e se tornariam verdadeiras empreendedoras”, diz o parlamentar.

 

A administração municipal planeja ainda iniciar a fiscalização dos carroceiros para observar a saúde dos cavalos, a conduta no trânsito, as dimensões das carroças, o estado de conservação do aro dos pneus, o sistema de freios e outras questões. Além disso, a Prefeitura afirma que irá realizar um curso para o licenciamento da atividade em Belo Horizonte. A proposta, entretanto, acaba por legitimar e promover a exploração de cavalos, que só pode ser efetivamente combatida por meio da proibição dos veículos movidos por tração animal.

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