APRISIONAMENTO

Cativeiro: estudo comprova impacto psicológico em animais enclausurados

Estudo comprova que animais presos em cativeiro têm comportamento anormal, devido ao cruel impacto psicológico que o cativeiro causa em animais selvagens

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09/04/2018 às 18:00
Por Fernanda Cotez, ANDA

Os zoológicos divertem muitas pessoas, e os espectadores costumam fantasiar sobre o comportamento dos animais. Muitos acreditam que os animais os estão seguindo, e em alguns casos, eles até acham que os animais estão “dançando”. A realidade revela a crueldade do cativeiro: esses comportamentos anormais descrevem a “zoocose”, o impacto psicológico que o cativeiro exerce sobre os animais selvagens.

Um animal em cativeiro não é capaz de modificar ou controlar seu próprio ambiente, por isso animais presos, em exibição ou em zoológicos começam a exibir comportamentos estereotípicos.

Um animal em cativeiro não é capaz de modificar ou controlar seu próprio ambiente, por isso animais presos, em exibição ou em zoológicos começam a exibir comportamentos estereotípicos. (Foto: Yuli4kaSergeevna/Shutterstock)

O termo “zoocose” foi cunhado em 1992 por Bill Travers, para caracterizar animais nos zoológicos. Hoje, o termo refere-se a qualquer animal selvagem em cativeiro exibindo comportamentos anormais, incluindo animais em zoológicos, aquários, instalações de testes (laboratório) e pseudo-santuários. Esses comportamentos não servem a nenhum propósito ou função claros e são destrutivos para o bem-estar mental e muitas vezes físico do animal.

As atitudes “curiosas” que os animais em cativeiro têm são apenas alguns dos muitos comportamentos estereotipados que apresentam os animais em cativeiro. Qualquer um que já tenha pisado em um estabelecimento que abriga animais silvestres cativos também provavelmente testemunhou comportamentos não naturais.

Alguns comportamentos incomuns e estereotípicos que os animais cativos têm são: realizar o mesmo movimento de forma contínua, como ficar andando em círculos ou andar de um lado para o outro repetitivamente; morder a barra ou paredes do cativeiro em que se encontra; e até mesmo automutilação comum entre animais que encontram-se em confinamento solitário.

Um estudo do Institute for Laboratorial Animal Research (ILAR) (Instituto Laboratorial de Pesquisa Animal, em tradução literal) revelou a importância do comportamento dos animais. Comportamentos normais permitem a homeostase, que é necessária para assegurar que as condições internas sejam mantidas e estáveis.

Logo, quando um animal em cativeiro não é capaz de modificar ou controlar seu próprio ambiente, os animais começam a exibir comportamentos estereotípicos. Os cientistas acreditam que esse comportamento anormal libera endorfinas e permite um alívio momentâneo.

Como instalações de cativeiro animal lidam com esse comportamento?

Zoológicos e aquários afirmam que seus animais são saudáveis ​​e prósperos, e essas instituições rapidamente rejeitam alegações de que seus animais são capazes de adquirir sintomas de depressão e ansiedade.

Porém, nos últimos anos, pode-se observar um aumento no número de denunciantes e evidências crescentes de que o cativeiro afeta profundamente os animais que estão sendo explorados nessas exibições.

Laurel Braitman afirma em entrevista para o One Green Planet, que muitos zoológicos utilizam drogas psicofarmacêuticas para aliviar comportamentos estereotipados uma vez que, como ela afirma, eles são “menos caros do que reconstruir uma exposição de dois milhões de dólares” que possa permitir o mínimo de bem-estar ideal e sanidade aos animais.

Recentemente, o SeaWorld foi criticado por administrar benzodiazepínicos em suas orcas. Infelizmente, instalações administram medicamentos psicofarmacêuticos comumente para aliviar os sintomas de um problema maior.

Tais comportamentos estereotipados representam, portanto, o bem-estar precário dos animais em cativeiro. Nenhum habitat pode rivalizar com o meio ambiente que os animais teriam na natureza.