Estudo propõe alterar geneticamente animais alegando prezar pelo ‘bem-estar’ animal


Um estudo da Universidade de Oxford foi premiado recentemente em Ética Prática, cuja temática era: “Por que ‘devemos’ alterar geneticamente animais ‘usados em fazendas de fábrica’, e defendia alterações genéticas em animais que são explorados pela indústria da agricultura em prol de ‘sentirem menos dor’ e ‘reduzir o sofrimento dos animais, propondo o que chamou de ‘agricultura industrial mais ética’.

Sem cogitar a possibilidade de retirar os animais dessas situações antiéticas, em primeiro lugar, são comuns propostas como esta, realizada pelo estudante Jonathan Latimer. O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor, e enquadra a proposta como uma resposta às preocupações com o bem-estar dos animais de criação.

O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor (Foto: AGERSENS)
O estudo descreve como “modificação genética” uma alteração que retira a capacidade de um animal de sentir dor (Foto: AGERSENS)

Conforme defendido pelo Ecorazzi, realizar tais alterações no gene dos animais seria, puramente, alterar princípios básicos de liberdade de suas vidas. Modificar funções corporais não os isenta do trauma psicológico gravíssimo que são expostos durante a vida de exploração que sofrem.

Peter Singer é filósofo e professor australiano, que foi citado por Latimer, já que argumentou que os animais se interessam em evitar o sofrimento, portanto, eticamente, tais alterações deveriam ser consideradas. Singer também defende que, se os animais vivem ‘boas vidas em condições naturais para suas espécies e são, então, humanamente mortos na fazenda’, não é antiético matar e usá-los.

Tal raciocínio se demonstra falho quando, em primeira instância, sequer questiona-se se os humanos têm ou não o direito de utilizar os animais, em primeiro lugar. E embora as práticas do estudo de Latimer ainda não tenham ocorrido, a alteração genética de animais na indústria de agricultura animal não seria novidade.

Práticas como acelerar o crescimento de frangos para tamanhos anormais e projetar vacas, ovelhas e cabras de forma a aumentar a produção de proteínas específicas em seu leite são apenas alguns exemplos que vêm ocorrendo há décadas.

A modificação genética pode até fazer sentido no que se trata à economia dos proprietários de fazendas, cujo objetivo principal é criar os animais de forma eficiente para a obtenção de lucro.

A consideração pela vida dos animais em locais de exploração para indústria da agricultura é quase nula, e geralmente não valeria o investimento para os investidores, que venderiam os animais ao mesmo preço.

Porém, é possível, sim, que Latimer tenha prezado o bem-estar animal em sua pesquisa. Mas é provável que seja mais fácil criar animais que não sejam resistentes a práticas dolorosas, e a verdadeira questão a ser levada em consideração é que os animais estão sendo, mais uma vez, privados do direito à liberdade de suas vidas.

Latimer falhou em não considerar, também, a dor não física. O sofrimento e traumas psicológicos sofridos por animais são inúmeros, e criar ‘soluções’ para tornar os problemas mais éticos não aborda o problema em questão. A não exploração animal em nenhuma instância do consumo humano, sim.


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