Tartarugas-marinhas usam nadadeiras para capturar e manipular comida


Pesquisadores realizaram uma descoberta fascinante e adorável sobre tartarugas-marinhas: algumas estão usando suas nadadeiras não apenas para nadar, mas também para ajudar a conseguir alimentos ou capturar presas.

As tartarugas-marinhas evoluíram o uso de suas barbatanas para funções similares às das mãos, possibilitando até a captura de águas-vivas, de acordo com cientistas. Anteriormente, acreditava-se que as nadadeiras tinham como única função auxiliar para nadar e mudar de direção.

Jessica Fujii, autora do estudo e pesquisadora do Aquário da baía Monterey, na Califórnia, disse em um comunicado no dia 28 de março que “os membros das tartarugas-marinhas evoluíram principalmente para a locomoção, mas não para manipular as presas”. A forma com a qual estão usando as nadadeiras mostra que “mesmo que não seja a maneira mais eficiente ou eficaz de usá-las, é melhor do que não usá-las.”

Uma tartaruga-marinha partindo uma água-viva ao meio, na Austrália. (Foto: Creative Commons CC)
Uma tartaruga-marinha partindo uma água-viva ao meio, na Austrália. (Foto: Creative Commons CC)

Ao observarem as tartarugas-marinhas e estudarem vídeos de répteis aquáticos, os cientistas viram os animais usando suas nadadeiras para funções diversas como cavar e até empurrar-se para fora de objetos. Na verdade, os pesquisadores identificaram pelo menos oito tipos diferentes de funções que as tartarugas realizam com suas nadadeiras, incluindo “segurar”, “cavar”, “golpear”, “lançar”, “alavancar”, “deslizar”, “encurralar” e “bater”. Elas foram vistas até mesmo lambendo seus “dedos” após comerem.

No comunicado, o diretor científico da baía de Monterey, dr. Kyle Van Houtan, que liderou a pesquisa, comentou: “As tartarugas-marinhas não têm um córtex frontal desenvolvido, articulações independentes ou qualquer aprendizado social. Ainda assim, aqui as temos ‘lambendo os dedos’ como uma criança que tem todas essas ferramentas”.

Ele enfatizou que “isso mostra um aspecto importante da evolução – que as oportunidades podem moldar as adaptações”.

 

Uma tartaruga-marinha segurando uma água-viva com a nadadeira. (Foto: Rich Carey/Shutterstock)
Uma tartaruga-marinha segurando uma água-viva com a nadadeira. (Foto: Rich Carey/Shutterstock)

No estudo, os pesquisadores escreveram que é “improvável” que tais comportamentos sejam essenciais para que as tartarugas obtenham alimento, mas que “podem ajudar na eficiência de sua alimentação e expansão do cultivo ou nichos de habitat”.

Sendo as tartarugas-marinhas animais solitários, tal comportamento surpreende os estudiosos. Já que são animais que não convivem diretamente com outros da mesma espécie, e ainda assim estão adquirindo e reproduzindo novos comportamentos, provando como alguns animais aprendem habilidades uns dos outros.

“É incrível que elas estejam descobrindo como fazer isso sem qualquer aprendizado prévio, e com nadadeiras que não estão bem adaptadas para essas tarefas”, enfatizou o diretor de ciências do Aquário de Monterey Bay.

O novo questionamento dos pesquisadores é se esses animais marinhos aprendem novas ações através de tentativa e erro, ou se é um comportamento inato que elas herdam. “Talvez uma tartaruga ancestral tenha evoluído esse traço e levado para o ambiente marinho”, disse Fujii em entrevista ao Gizmodo.


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