Saúde de tartarugas-verde preocupa pesquisadores no litoral do Paraná


Pesquisadores do Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar) estão preocupados com a saúde de tartarugas-verde no litoral do Paraná. Apesar do número recorde de animais da espécie registrados, a maior parte das 77 tartarugas examinadas apresentaram imunidade baixa.

(Foto: Divulgação / Imagem Ilustrativa)

“A distribuição de patógenos [organismos que são capazes de causar doença] vem crescendo nos últimos anos e afetando a fauna”, afirmou a bióloga Camila Domit, responsável pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, e coordenadora das atividades com tartarugas marinhas do Rebimar.

A fibropapilomatose – doença causada por um vírus que provoca múltiplas verrugas nas tartarugas e pode matar – teve um aumento de 24% para 66% neste ano. “Pode ter influência da água mais quente em março, pois nela a capacidade do vírus é maior, mas já temos a certeza que a problemática está aqui, eles não estão chegando doentes de outros lugares”, explicou Camila. Lesões físicas, provocadas por colisões com embarcações, também foram encontradas nos animais.

Um monitoramento realizado via satélite com dezenas de tartarugas mostrou que 70% delas têm passado de quatro a cinco meses no litoral brasileiro, segundo Camila. Os locais nos quais a passagem delas foi registrada foram a Ilha do Mel e Ilha das Cobras, no estuário de Paranaguá e a Ilha da Figueira e Arquipélago de Currais, em mar aberto. Os 12 berços da espécie, que é migratória, estão localizados na região central e sul do Oceano Atlântico, como em ilhas próximas ao Caribe, Fernando de Noronha e a Ilha britânica de Ascensão.

“Pelas análises iniciais já verificamos que elas vêm de 10 sítios de reprodução diferentes e são bem jovens, estão vindo se desenvolver cedo na costa brasileira. Ou seja, não adianta somente essas regiões de berçário trabalharem pela espécie se a gente não fizer nossa parte”, reforçou a bióloga, que explicou que o litoral tem sido afetado pela ação humana desde a poluição química por efluentes, a sonora do porto e da dragagem, até a destruição da área costeira.

Camila afirmou ainda que as tartarugas já têm buscado outras formas de alimento e de uso do ambiente, o que tem modificado os parâmetros de saúde desses animais. As informações são do Paraná Portal.

A tartaruga, assim como o boto – residente do litoral -, é considerada sentinela do meio ambiente. “Ambos nos mostram que a situação atual é de desequilíbrio. Primeiro fica evidente neles. É claro que boa parte das pessoas não depende exatamente dos mesmos recursos, mas as comunidades do litoral sim”, finalizou.


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