Programa de urbanização aumenta abandono de animais em Belo Horizonte (MG)


O programa de urbanização Vila Viva, que tem realizado o remanejamento de moradores de comunidades para conjuntos habitacionais em Belo Horizonte (MG), tem contribuído para o aumento do número de animais abandonados na cidade. Isso porque nenhum projeto político de manejo populacional ético de cães e gatos foi implementado pela Prefeitura e, ao serem levados para os conjuntos habitacionais do projeto, muitos tutores abandonam os animais nos locais onde viviam antes.

Famílias que viviam em comunidades e foram remanejadas para prédios abandonam animais (Foto: Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

Uma das comunidades que sofrem com o problema é o Morro do Papagaio. Moradora do local há 40 anos, a faxineira Maria Aparecida Afonso, de 49 anos, conta que se esforça para tentar ajudar os inúmeros animais abandonados. “São cães e gatos de todos os jeitos, inclusive de raça. Aparecem famintos e assustados e muitos deles já chegam doentes. Fora os que já vivem aqui nas ruas. Sabemos que uma boa parte tinha tutor e que eles se mudaram para os ‘predinhos’ [sic] e os deixaram para trás”, lamenta a moradora.

Não há, segundo Maria, nenhum programa de castração gratuita na comunidade, tampouco parceria dos órgãos públicos com ONGs para resgate dos animais ou prestação de serviços veterinários. “O máximo que vi foi a Zoonoses [de BH] recolher alguns animais doentes que, com certeza, seriam mortos, e não tratados”, comenta Maria.

O problema é contestado há anos por grupos de proteção animal, segundo a coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos dos Animais (MMDA), Adriana Araújo. “Apesar do Vila Viva ser um projeto excepcional quanto à questão social, é extremamente grave quanto ao descaso com os animais. Pois, da maneira como é realizado, acaba estimulando o abandono”, afirma a ativista, que acredita que a solução para o problema seja cumprir a lei 21970, de 2016, e realizar ações de manejo e de conscientização populacional; guarda responsável; castração; campanhas de adoção; punição para os maus-tratos; entre outras.

“Como ignorar o destino de tantos animais? Não adianta fazer um projeto pela metade. Tanto a fauna quanto a flora também são responsabilidades do estado”, diz Adriana. As informações são da Revista Encontro.

O advogado Luiz Carlos Moreira da Costa, de 59 anos, ex-morador do Morro do Papagaio, descreve no livro “Assim Era a Minha Favela”, que será lançado em abril, as transformações sofridas pela comunidade ao longo dos anos. “Realmente, existe uma incompatibilidade do Vila Viva com a realidade das famílias, especialmente no que se refere aos animais. Até mesmo por que muitas delas têm vários deles”, afirma o advogado.

A Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) afirma que não há restrição em relação à presença de animais nos conjuntos habitacionais para onde são levadas as famílias contempladas pelo programa. O que existe é o regimento interno dos prédios, que é discutido e aprovado pelos moradores durante o processo de remoção.

“Algumas famílias, mesmo com a permissão explícita, não desejam levar os seus animais. Neste caso, orientamos sobre a adoção e sobre o não abandono”, informa a assessoria do órgão.

A auxiliar administrativa Gisele Maria Conceição, que auxilia os animais abandonados – muitos deles doentes -, afirma que a questão é de saúde pública. “Recentemente, um deles tinha sido atropelado às 8h da manhã e, quando soube da situação, às 16h, ele ainda agonizava. Estava com as patas e o focinho quebrados. Imagino a dor que sentiu até ser socorrido”, lamenta Gisele.

A gerente administrativa Solange Rabelo também lamenta o descaso com os animais. “Trabalho no bairro Carmo e venho observando que o número de animais abandonados tem aumentado. Inclusive, muitos tentam atravessar a avenida Nossa Senhora do Carmo e acabam sendo atropelados. É realmente revoltante ver tanto descaso”, conclui.


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