CONSUMO ÉTICO

Startup investe em biotecnologia e sequenciamento genético para acabar com indústria de laticínios

A startup Perfect Day, de Berkeley (EUA), anunciou a conclusão de sua rodada da série A de US$ 24,7 milhões, mostrando o poder do setor da agricultura celular

Foto: Perfect Day

 

Foto: Perfect Day

Enquanto a maioria das outras startups do setor se concentra na carne (Memphis Meats, Super Meat, Mosa Meats), a Perfect Day quer prejudicar a indústria de laticínios.

A rodada foi liderada por Temasek, um fundo soberano de US$ 275 bilhões em Cingapura. A Perfect Day visa acelerar a comercialização com uma grande variedade de parceiros nos setores de alimentos e laticínios. Outros investidores proeminentes que se juntaram à rodada foram o Horizons Ventures, juntamente com investimentos adicionais da Continental Grain (EUA), Jeremy Coller (Reino Unido), Iconiq Capital (EUA), Lion Ventures, Verus International entre outros. A startup recebeu sua primeira patente para o uso de alternativas às proteínas lácteas em alimentos no início deste mês.

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“No mercado de leite, os produtos à base de vegetais, como a soja, o arroz e amêndoas, cresceram para controlar 10% do mercado global de laticínios enquanto os produtos lácteos à base de animais têm estagnado. Isso mostra o potencial de crescimento para as preferências pela Perfect Day e pelo setor de ‘proteína sustentável’ como um todo”, declarou Jeremy Coller.

A empresa usará o montante para acelerar os esforços de expansão, aumentar a equipe de 30 funcionários dentro de sua instalação de 17 mil pés quadrados e se concentrar em seu potencial de comercialização.

Origem

Em 2014, Ryan Pandya e Perumal Gandhi foram introduzidos por Isha Datar à New Harvest, uma organização sem fins lucrativos do setor da agricultura celular. Isha sabia que eles queriam criar um produto de leite celular. Pouco depois, ocorreu a formação da Muufri (o nome original da empresa).

Após conseguirem um financiamento por meio da Indie Bio, eles chamaram a atenção da Horizon Ventures. Isso resultou  em uma reunião bem-sucedida em Hong Kong com Solina Chau, que ofereceu a quantia necessária para contratar funcionários e expandir a pesquisa e o desenvolvimento.

Eles estavam insatisfeitos com o nome Muufri e queriam mudá-lo para algo com mais apelo. Quando descobriram que as vacas leiteiras produzem mais leite após ouvirem uma música suave, como a canção de Lou Reed ‘Perfect Day’, eles sabiam que tinham encontrado o nome certo.

Produção

A Perfect Day aplica sequenciamento de genes e impressão 3D para produzir proteínas lácteas sem explorar vacas. Com leveduras e técnicas de fermentação, a Perfect Day consegue produzir as mesmas proteínas lácteas (caseína e soro) que as contidas no leite de vacas.

Com o auxílio da biotecnologia, eles dão a essa levedura um “modelo” que resulta na fermentação do açúcar e na criação de proteínas lácteas reais. Este é o mesmo modelo, na forma de DNA, que as vacas usam internamente diariamente. O processo de utilização da fermentação é semelhante ao usado na produção de coalhada vegetariana, de baunilha, de insulina e de diversos outros produtos e é mais limpo e eficaz em termos de recursos do que a agropecuária.

O leite animal é obtido após a inseminação artificial de uma vaca com 13 meses que dá à luz nove meses depois e é separada do seu bebê, que é morto pela indústria da carne de vitela. Três meses depois, a vaca é engravidada novamente. Aos quatro anos, a vaca é morta pela indústria da carne. Por isso, a produção de leite em um laboratório é uma proposta atrativa para muitos investidores e consumidores.

Segundo a Forbes, os leites da Perfect Day são livres de hormônios, antibióticos, esteroides e colesterol encontrados em muitos laticínios. Além disso, os produtos não possuem soja e glúten. Nos EUA, de 30 a 50 milhões de pessoas são intolerantes à lactose, segundo o Instituto Nacional de Saúde da Criança e Desenvolvimento Humano.

As proteínas da Perfect Day permitem que os fabricantes de alimentos criem produtos inteiramente novos ou alterem os existentes para mudar nossos hábitos atuais e durante os próximos anos. Os fundadores da startup também têm desenvolvido uma versão hipoalergênica para as pessoas que possuem alergia a caseína ou a outras proteínas do leite.