Circo Venegas: ativista encaminha denúncia ao MP de SP


Denúncias contra o Circo Venegas são antigas | Reprodução

O caso do Circo Venegas acaba de ganhar mais um episódio nesta terça-feira (06). Após a intensa repercussão gerada pela matéria publicada na ANDA no domingo passado (04), o ativista em defesa dos direitos animais, Leandro Ferro, encaminhou a denúncia de exploração animal a diversos órgãos competentes como o Ministério Público de SP, a Secretaria do Meio Ambiente de SP, a Vigilância Sanitária e a Secretaria de Turismo de SP.

Leandro usa como justificativa o flagrante desrespeito à lei 11.977/2005, de autoria do deputado Ricardo Trípoli (PSDB), que proíbe o uso de animais em espetáculos circenses em todo o estado de SP desde agosto de 2015, e ao artigo 32 da lei 9605/98, que pune criminalmente atos lesivos praticados contra animais. A ANDA teve acesso exclusivo a denúncia encaminhada pelo ativista. Veja abaixo na íntegra:

“Prezadas Autoridades Públicas, venho por meio deste e-mail encaminhar denúncia relacionado à infração do artigo 21 do Código de Proteção aos Animais do Estado São paulo, lei 11.977/2005.

Seção VI

Das Atividades de Diversão, Cultura e Entretenimento

Artigo 21 – É vedada a apresentação ou utilização de animais em espetáculos circenses.

[…]

Na cidade de São Pedro (SP), está se apresentando um circo chamado “Circo Venegas” que se utiliza de diversos animais em seus espetáculos. Além do fato de expor os animais a situação de  stress como luzes, som, e flashes de máquinas fotográficas, os animais são manuseados com o objetivo de favorecer unicamente shows, além de serem acondicionados em pequenas gaiolas.

Tal exploração pode ser considerada crime definido pelo artigo 32 da lei 9605/98 , além do uso de animais confrontar diretamente o código de proteção animal estadual, conforme citado anteriormente

Como o estabelecimento é itinerante, entendo que seria o caso de que, além das sanções cabíveis, seja realizada a apreensão dos animais para encaminhamento a uma ONG competente pela sua guarda, a fim de preservá-los de futuros episódios como estes”.

Leandro, que também é fundador do grupo Odeio Rodeio, reforçou em entrevista à ANDA que o trabalho realizado pelos ativistas é incessante e de extrema importância. “Este é mais um exemplo que os ativistas não podem deixar de vigiar atividades que exploravam animais no passado, como é o caso dos circos. Quando pensamos que resolvemos um problema, mesmo ciente que estão transgredindo leis, os exploradores dão as caras”, disse.

Ele asseverou ainda que denúncias formais foram realizadas e que cabe agora ao poder público fazer valer a lei. “Todos os órgão competentes foram acionados, inclusive o MP, e estarei acompanhado de perto o itinerário do Circo Venegas, se for necessário, vamos fazer o resgate em flagrante dos animais”, contou.

Divulgação

Apesar das leis brandas e do retrocesso diário no que se refere ao reconhecimento dos direitos animais no país, Leandro é otimista e acredita em futuro mais compassivo e ético. “Fora esse caso em especifico, é gratificante saber que ha mais de uma década banimos esse tipo de atividade no estado de SP, e esperamos que o brasil todo adote a abolição de animais em circos, rodeios e congeneres”, concluiu.

Circo Venegas vai cair em si?

Após uma onda de críticas motivadas pela publicação de matéria na ANDA sobre a exploração de animais pelo circo, o advogado representante do Venegas, Giuliano Vettori, falou por telefone com a presidente da ANDA, Silvana Andrade, e afirmou que o uso de animais nos espetáculos seria abolido.

Foi solicitado ao advogado um pronunciamento formal do Circo Venegas, mas até o fechamento desta matéria não houve nenhuma manifestação.

Repercussão nas redes sociais

Administração da página excluiu todas as postagens recentes após enxurrada de críticas | Reprodução

A página do circo no Facebook se tornou um dos principais canais de envio de comentários e manifestações contrárias à exploração de animais nos espetáculos. Ativistas e protetores de todas as partes do país exigiriam explicações e questionaram sobre a ilegalidade do uso de animais pelo Circo Venegas.

Lamentavelmente a administração da página ignorou os questionamentos e críticas e deletou todos as postagens que continham manifestações contrárias aos espetáculos. Muitos ativistas afirmam ter sido banidos e bloqueados da página.

Críticas foram apagadas da página | Reprodução

A ativista Carlinha Belisana foi uma das pessoas censuradas pelo circo. Ela afirma que defensores da manutenção da exploração de animais no circo tentaram desmoralizar e desvalorizar o trabalho realizado por ativistas e protetores. “Eles questionaram inclusive que nós deveríamos ‘tirar a bunda da cadeira’ e lutarmos contra os zoológicos e as ‘agropecuárias’ (locais que vendem animais), porque ele postou uma foto de pássaros e outros animais em gaiolas, eu falei que nós éramos muitos, que lutávamos por vidas, todas elas, e que estávamos em toda parte e não descansaríamos e não recuaríamos até que a lei fosse cumprida”, afirma Carlinha.

Usuários da rede usam outras formas de exploração animal para intimidar ativistas | Reprodução

Ela lamenta ainda o descaso público e da sociedade com a situação dos animais aprisionados e explorados para o lazer de seres humanos. “Acho que está na hora das pessoas despertarem do sono profundo do egoísmo e da falta de empatia e entenderem definitivamente que os animais aprendem alguns truques depois de várias privações inclusive de alimentos e principalmente com cenas reais de tortura psicológica ou física, conclui.

Protetores e ativistas usam a rede social Facebook para se manifestarem contra o circo | Divulgação

Entenda o caso

Moradores da cidade de São Pedro, a cerca de 200 quilômetros da capital paulista, procuraram o ativista ambiental e pelos animais, Haroldo Botta, para relatar a exploração e maus-tratos contra animais cometidos pelo Circo Venegas, que está fazendo apresentações na cidade.

Privados de sua liberdade, animais são explorados em espetáculos | Reprodução

Grande parte do público que foi assistir ao espetáculo ficou indignada com a exploração dos animais. Segundo contaram, um coelho, um pato e um pombo foram submetidos a situações de grande estresse. Ao receber a denúncia, Botta imediatamente entrou em contato com a Polícia Militar (PM), que solicitou que a Vigilância Sanitária fosse acionada. Esta por sua vez não atendeu aos chamados.

Haroldo Botta, também conhecido por suas atuações em produções da TV Tupi e Rede Globo, conta que após tentar insistentemente ajuda dos órgãos responsáveis

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sem sucesso, recorreu a um vereador do município, que se dirigiu até o local. Segundo informou o parlamentar, ele foi ultrajado pelo dono do circo, que afirmou que comeria os animais se as denúncias insistissem. Mesmo com a gravidade das ameaças, o vereador não contatou as autoridades e abandonou o caso, deixando Haroldo novamente desamparado.

Resiliente, ele contatou novamente a PM, que solicitou que fosse registrada uma denúncia formal, no entanto um representante do órgão afirmou que seria realizada uma fiscalização e que só seriam tomadas providências se os animais fossem encontrados em situação de violação de bem-estar. A exploração do pato, do pombo e do coelho foi ignorada e desconsiderada pelos militares.

Divulgação

Haroldo afirmou em entrevista exclusiva à ANDA que levará o caso ao Ministério Público e reforçou que denunciar crimes contra animais é um ato de cidadania. “Espero que as pessoas que frequentam espetáculos com exploração de animais sejam capazes de usar as leis vigentes para coibir tais abusos”, disse o ativista.

Ele lamenta ainda que seja necessário lutar para defender o óbvio: que animais são seres sencientes e merecem ter seus direitos respeitados. “Já passou da hora de fecharmos os olhos ao sofrimento de animais em nosso planeta”, desabafou.


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