Pesquisadores mostram a complexidade das habilidades cognitivas das raias


Ameaçados pela pesca, pela criação intensiva em cativeiro, pela indústria de aquários e por pesquisas científicas, raramente os peixes recebem o mesmo nível de compaixão ou bem-estar que o os vertebrados com sangue quente.

Foto: Ellen Cuylaerts / Barcroft Media

Uma pesquisa sobre raias gigantes (Manta birostris), publicada por Csilla Ari e Dominic D’Agostino, explorou a noção de elas poderiam ser classificadas como autoconscientes. Raias gigantes possuem o maior cérebro de todas as espécies de peixes e suas características indicam interações sociais complexas e inteligência.

Ari descobriu que, quando as raias são expostas a um espelho,  elas realizaram movimentos incomuns, repetitivos, exploratórios, verificação de contingência e comportamento autodirigido. Elas deram uma atenção seletiva ao espelho ao realizaram movimentos significativamente mais repetitivos (movimentos de barbatanas cefálicos constantes) do que sem o espelho. Os animais também observaram suas imagens e fizeram bolhas, semelhante ao observado em golfinhos-nariz de-garrafa colocados na mesma situação.

As raias também possuem a capacidade de mudar de cor, aumentando rapidamente a intensidade de suas marcas brancas quando um novo indivíduo se aproxima. Isso não foi observado com a presença de um espelho provavelmente porque os animais não percebem sua imagem espelhada como um novo indivíduo e porque os comportamentos observados não faziam parte da interação social normal.

De acordo com o The Guardian, as observações de Ari e D’Agostino oferecem evidências de respostas comportamentais conhecidas como pré-requisitos para a autoconsciência que foram usadas por outros pesquisadores para confirmar o auto reconhecimento em espécies de primatas. Como as espécies autoconscientes são conhecidas por comportamentos sociais complexos, cooperativos e empáticos, as descobertas mostram as capacidades cognitivas dos peixes e questionam a crueldade cometida contra eles.

A União Internacional para a Conservação da Natureza reconhece a raia gigante como uma espécie vulnerável, com um declínio crescente da população atual. Os animais são protegidos em algumas regiões e a espécie está listada na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, que restringe seu comércio. Apesar disso, calcula-se que até mil mantas gigantes são criadas em locais específicos anualmente para serem mortas por suas carnes e brânquias, que são comercializadas como medicamentos na China.


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