CONTEÚDO ANDA

ONU pede proibição de crianças em touradas

O evento de tortura explícita foi considerado pelo Comitê como uma prática nociva aos menores de 18 anos

590

13/02/2018 às 15:00
Por Tatiana Maria. ANDA

Foto: Jim Hollander/EPA

O Comitê dos Direitos da Criança (CRC) da Organização das Nações Unidos (ONU) solicitou ao governo da Espanha a proibição de crianças nas touradas. O evento de tortura explícito foi considerado pelo órgão como uma prática nociva aos menores de 18 anos.

De acordo com o porta-voz do CRC, formada por especialista independentes que monitoram a implantação da convenção da ONU sobre os direitos da criança, os menores não devem participar dos eventos de nenhuma forma e o país deve tomar medidas efetivas para restringir a exposição deles as touradas.

“Não só apenas os toureiros infantis, mas também aquelas que participam como espectadores”, disse Gehad Madi ao jornal espanhol El Diário.

Segundo ele, as touradas são uma forma de “violência extrema” que as crianças precisavam ser protegidas.

“Como comitê, estamos muito preocupados em proteger as crianças da exposição a essa violência. Esperamos que o governo espanhol e os governos das comunidades autônomas da Espanha proíbam as crianças de participarem das atividades “.

No mês passado o CRC já havia questionado o governo espanhol sobre a possibilidade de proibir o acesso das crianças também nas 55 escolas de tauromaquia espalhadas pelo país.

Foto: Vladimir Terán A.

Em resposta, a delegação espanhola disse à comissão que consideraria as recomendações.

Mas justificou que o evento é regulamento pelos governos autônomos de cada Estado e que as crianças maiores de 14 anos são permitidas a participar e receber ensinamentos nas escolas de touradas de acordo com cada legislação vigente.

O debate sobre as corridas de touros já foi levantado no país. De acordo com os dados do Ministério da Cultura espanhol, 90,5% da população não assiste anualmente a nenhuma tourada.

O governo da Catalunha, por exemplo, proibiu as corridas de touros há quase oito anos, mas a proibição foi anulada em 2016 pelo tribunal constitucional da Espanha.