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Investigação expõe a crueldade de mercado sul-coreano que mata 80 mil cães por ano

Existem imagens que os organizadores das Olimpíadas da Coreia do Sul não querem que as pessoas vejam: de cães sendo mortos e vendidos para a alimentação humana a apenas 112 quilômetros de onde os Jogos Olímpicos de inverno começaram

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14/02/2018 às 06:00
Por Redação

Filhotes e adultos são vendidos abertamente para alimentos no mercado de Moran, o Seongnam, o maior mercado aberto de cães do país que permanece em funcionamento apesar de as autoridades alegarem que o local iria fechar em 2017.

Foto: Roland Hoskins

 

Até 80 mil cães são vendidos e mortos no mercado todos os anos, para serem transformados em uma sopa que o folclore credita ao aumento do desejo sexual.

Conscientes da indignação mundial que o consumo de carne de cachorro provoca, as autoridades coreanas pediram aos cidadãos que não consumam animais durante as Olimpíadas, mas as fotos do Daily Mail mostram que o pedido não foi atendido.

O comércio é oficialmente desaprovado, mas tolerado devido à grande demanda do público. Um em cada três coreanos ingeriu carne de cachorro pelo menos uma vez, embora apenas um em cada 20 faça isso constantemente.

Foto: Roland Hoskins

A reportagem testemunhou animais assustados à espera da morte em Seongnam. As fotos contradizem as declarações de que o fechamento do mercado ocorreria em Maio de 2017, feito pelo governo da cidade de Seongnam e pela associação de vendedores do mercado ao Korean Herald.

“Iniciando pela retirada de instalações de morte e gaiolas no mercado, acabaremos com o comércio de carne de cachorro no mercado de Moran”, afirmou o funcionário da cidade de Seongnam, Kang Won-gu.

As fotos mostram cerca de duas dúzias de cães enjaulados em um calabouço frio, escuro, e assustados com o mínimo ruído e com o cheiro de morte.

Foto: Roland Hoskins

Famintos e sedentos, os cães passam suas horas finais a poucos metros dos restaurantes que os servirão como alimentos. Ferimentos abertos comprovem o estresse dos animais e o sangue espalha-se pelo chão de concreto.

Cadáveres inteiros e cortados pela metade enchem as mesas de barracas de carne.  Os restaurantes servem o bosintang, uma sopa com muita carne de cachorro, que muitos coreanos acreditam que aumenta o desejo sexual, para 8 mil  sul-coreanos por menos de US $ 7,50.

Os animais são picados e servidos em um caldo temperado que acompanha arroz, vegetais fermentados, cebola, óleo de gergelim e pimentão.

O corpo de um grande cão adulto pode ser vendido  por até 200,000 won sul-coreanos,  o que equivale a US$ 180 e por cerca de US$ 18,00 por libra. O comércio da carne de cachorro é altamente lucrativo.

Foto: Roland Hoskins

No mercado, há placas com a mensagem “sem fotografia” para desencorajar testemunhas a documentar a crueldade..

A reportagem flagrou cerca de 25 cachorros em condições de congelamento dentro de uma barraca.

Uma placa na porta metálica ameaça as pessoas com acusação de tirar fotos na propriedade. Uma câmera de CCTV registra todos os que entram no canil e matadouro.

Os olhos de três cães mestiços claros se iluminam quando a porta destrancada é aberta.  Deitados em um piso de metal frio, os cães se unem para tentar se aquecer e lambem uma poça congelada no fundo de uma vasilha de água vazia para sobreviver.

Outros cães andam pelas gaiolas imundas, chorando de medo e angústia. A maioria parece ser de animais jovens totalmente desenvolvidos. As marcas de sangue e o cheiro  da carne recentemente cortada mostram que um membro do grupo havia sido recentemente morto.