KATE CLERE

“Há uma falta de transparência do nosso governo e da indústria para tornar público o tratamento dos cangurus”

É difícil imaginar que os ícones da Austrália são vítimas de um dos maiores massacres de animais selvagens do mundo. Porém, essa é a realidade enfrentada pelos cangurus

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13/02/2018 às 17:30
Por Aline Khouri

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Foto: Hopping Pictures

O documentário “Kangaroo” (Canguru) mostra que a imagem dos animais é orgulhosamente usada por empresas, grupos esportivos e souvenires e, ainda assim, eles são considerados pragas e mortos por fazendeiros e têm suas carnes e peles vendidas por indústrias que visam apenas ao lucro. Além de ser exibido na Austrália e nos Estados Unidos, o documentário estará nos cinemas da Europa em Maio e vendas têm sido negociadas em plataformas digitais. Nesta entrevista exclusiva à ANDA, a australiana Kate Clere, que produziu e dirigiu o documentário juntamente com Mick McIntyre, explica esse cenário sombrio.

ANDA: Os cangurus são considerados um ícone na Austrália e, ao mesmo tempo,  milhões deles são mortos anualmente. Como isso aconteceu?

Kate Clere – Ao fazer o filme “Kangaroo”, estávamos muito interessados em descobrir por que o ícone nacional da Austrália é no coração do maior massacre de animais selvagens do mundo. Os cangurus têm se adaptado à vida no continente australiano nos últimos 30 milhões de anos. Sabíamos que havia opiniões divididas na Austrália sobre o tratamento dos cangurus, mas, quanto mais filmamos, ficamos chocados com o que encontramos. Parece que, logo após a colonização europeia na Austrália, os cangurus foram vistos como pragas pelos fazendeiros e desenvolvedores de terras.  Encontramos registros históricos de 1888, intitulados “Licenças da Lei de Destruição”, nos quais uma pessoa poderia remover os cangurus da paisagem e esses tipos de licenças ainda existem hoje. Os cientistas nos disseram que, embora os cangurus estejam protegidos pela legislação nacional da vida selvagem, também há muitas exclusões que permitem que os cangurus sejam baleados.

ANDA: Além de serem mortos por fazendeiros que os consideram uma praga, existe a indústria da pele e da carne de canguru para o consumo humano e de animais domésticos.  Você poderia  falar mais sobre as ameaças enfrentadas pelos cangurus e descrever a dimensão destas indústrias?

Kate Clere – Os cangurus são mortos por muitos motivos na Austrália. A crescente indústria que exporta pele e carne é a maior preocupação para os cangurus. Eles não são criados em fazendas e são mortos na natureza, também podem ser mortos devido a licenças de mitigação procuradas pelos fazendeiros e desenvolvedores que desejam removê-los da terra. Eles também são mortos pelo esporte por atiradores recreativos e pela caça. Eles são atingidos por veículos enquanto atravessam rodovias. Como todos os animais selvagens, também sofrem em secas, inundações, incêndios e devido a causas naturais. Uma das principais questões é que não há contagem de todas essas situações diferentes, de modo que o número exato de cangurus mortos permanece desconhecido.

ANDA: O trailer do documentário passa a impressão de que o grande extermínio de cangurus é, em grande parte, desconhecido e, por isso, o documentário cumpre o papel de conscientizar as pessoas. A população australiana está ciente dessa realidade ou não? Vocês nota uma resistência a isso ou uma conscientização maior hoje?

Kate Clere – Nós nos propusemos a fazer um filme sobre cangurus e a resposta dividida na Austrália para esta espécie nativa. Ficamos chocados ao saber que estão no centro do maior extermínio de vida selvagem no planeta. Acreditamos que a maioria dos australianos não conhece esse fato. A maioria dos australianos não sabe como e onde os cangurus são mortos e eviscerados. A maioria dos australianos não sabe como os bebês são tratados. Nós certamente não sabíamos. A maioria não sabe que há uma pressão para expandir a exportação da carne de canguru para novas áreas, incluindo a China. Nós acreditamos que a maioria dos australianos ficará chocada ao saber como seu amado emblema nacional está sendo vendido como alimentos para animais domésticos, salsichas e botas de futebol. Ao pesquisarmos para o filme, achamos difícil obter muita informação sobre os cangurus e a indústria comercial. Era difícil encontrar todos os detalhes. Há uma falta de transparência do nosso governo e da indústria para tornar público esse tratamento dos cangurus.

ANDA: O que você destacaria sobre as filmagens? Quais momentos mais lhe impactaram?

Kate Clere –  Filmar os grandes cangurus vermelhos no Sturt National Park foi um destaque do projeto. Ver os maiores machos que possuem mais de sete metros de altura nos deixou sem fôlego. Pequenas multidões de cangurus pulando pela savana, mães cuidando de seus jovens, bebês pulando dentro e fora de bolsas. É tão lindo observar essas magníficas criaturas na natureza.

ANDA: Quais foram as características mais surpreendentes sobre cangurus que vocês descobriram durante o documentário?

Kate Clere –  Os cangurus têm se adaptado à vida no continente australiano há milhões de anos. Eles usam suas grandes pernas para atravessar vastas pistas de terra. Observá-los pulando em uma multidão a velocidades de até 40 milhas por hora (aproximadamente 64 quilômetros por hora) é verdadeiramente de tirar o fôlego! Eles estão cuidando de animais que vivem em grupos familiares unidos.

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