Impacto

Quando os humanos fazem guerra, animais também sofrem

Quando os humanos fazem guerra, prejudicam mais do que apenas uns aos outros. Os animais selvagens também sofrem, e alguns estiveram à beira da aniquilação nos muitos conflitos anticoloniais e...

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13/01/2018 às 16:00
Por Redação

Os elefantes estavam entre os 90% dos grandes herbívoros do Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, que morreram durante o conflito de 1964-74 – AP POOL/AFP/Arquivos

Quando os humanos fazem guerra, prejudicam mais do que apenas uns aos outros. Os animais selvagens também sofrem, e alguns estiveram à beira da aniquilação nos muitos conflitos anticoloniais e civis da África.

Mais de 70% das áreas naturais protegidas do continente foram atingidas pela guerra entre 1946 e 2010, desencadeando uma “espiral descendente” para muitas populações de grandes mamíferos herbívoros, de acordo com um estudo publicado na revista Nature.

No Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, por exemplo, mais de 90% dos grandes herbívoros – incluindo elefantes, zebras, gnus, búfalos, javalis, hipopótamos e vários antílopes – morreram na luta de 1964-74 pela libertação do domínio português e subsequente guerra civil.

Além dos animais mortos por balas ou bombas, a guerra aumenta a caça furtiva, em meio à falta de aplicação da lei – para obter tanto alimentos, conforme a pobreza aumenta, como marfim, peles e outros produtos para serem vendidos por mais armas.

Os tempos de guerra também costumam levar ao colapso do governo e das instituições de apoio, incluindo as responsáveis ​​pela gestão das áreas naturais protegidas de um país.

Mas há motivo para otimismo, disse a dupla de pesquisadores da Universidade de Princeton Robert Pringle e Joshua Daskin.

“Enquanto as populações de vida selvagem diminuíram em áreas de conflito, elas raramente colapsaram até o ponto em que a recuperação se torna impossível”, disseram.

Mesmo em Gorongosa, os níveis da vida selvagem se recuperaram até cerca de 80% dos níveis anteriores à guerra, graças a um esforço combinado de repovoamento com o apoio das comunidades locais, muitas das quais tiveram de ser convencidas a abandonar a carne de caça.

“Isso sugere que os outros locais de alto conflito em nosso estudo também podem, ao menos em princípio, ser reabilitados”.

A dupla disse que eles foram os primeiros a mostrar que a guerra teve um impacto negativo líquido sobre as populações animais, embora não tenham calculado os números de exemplares mortos.

Alguns estudos anteriores apontaram para um potencial efeito positivo da guerra na natureza, à medida que as pessoas evitam as zonas de combate e que a mineração e outras indústrias extrativas diminuem sua atividade.

O novo estudo reuniu dados de 253 grandes populações de herbívoros, representando 36 espécies, em 126 áreas protegidas em 19 países africanos.

Os dados sugerem que a manutenção dos esforços de conservação em tempos de guerra e uma ação rápida após o cessar-fogo podem ajudar a salvar populações de animais em risco, disseram os pesquisadores.

Fonte: Isto É