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Fogos deixam animais feridos e mortos durante festas de fim de ano

Tutores utilizaram as redes sociais para relatar as terríveis consequências dos explosivos aos animais e realizar campanhas pedindo o fim da soltura de fogos com poluição sonora.

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03/01/2018 às 06:00
Por Redação

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Assim como aconteceu no Natal, os animais sofreram as terríveis consequências da soltura de fogos de artifício com poluição sonora durante as comemorações de Ano Novo. Nas redes sociais, inúmeros relatos de animais desaparecidos, feridos e até mortos foram feitos.

Uma publicação descrevendo a morte de uma cadela viralizou no Facebook. “Perdi minha cachorra com os fogos. Nina minha linda, princesa, meu anjo. Por favor, compartilhem para que um dia isso acabe”, escreveu Nunes Tha, tutora da cadela.

Nina morreu por causa dos fogos de artifício (Foto: Arquivo pessoal)

Estrela, uma cadela comunitária que vivia em Arroio Grande (RS), também perdeu a vida devido aos fogos. Assustada, ela tentou se proteger entrando embaixo de um ônibus. O veículo saiu do local e atropelou a cadela, que não resistiu. Em entrevista ao Diário Popular, uma testemunha afirmou que Estrela não foi a única a se desesperar com os fogos. Outros cães que vivem nas ruas também sofreram. “Pelo menos mais dois ou três foram junto com a Estrela pra baixo do ônibus. O motorista não teve culpa nenhuma. Quando ele foi embora percebemos que ela estava lá, esmagada, com os órgãos pra fora. Esse é o resultado que os ‘belos shows de fogos’ trazem pras pessoas”, disse. A cadela, agora, se transformou em um símbolo da luta pelo fim da soltura de fogos com poluição sonora na cidade gaúcha.

Outros animais também foram vítimas de atropelamento após se assustarem com os explosivos. Priscila Fernandes Belagodiva publicou a foto de uma cadela morta e afirmou que não tinha palavras para descrever o que sentia ao presenciar a triste cena. O protetor Domingos Galante Neto também registrou a morte de um cão por atropelamento após fuga por medo dos foguetes. “Fui chamado para socorrer um cão mas infelizmente estava morto! Morto por esses malditos fogos! E esses malditos motoristas que pensam que as ruas são pistas de corrida! Provavelmente tinha tutor pois tem coleira! Porque queimar dinheiro com esses fogos?”, desabafou Domingos. Nos comentários da publicação do protetor, Paulo Souza conta sobre outra vítima dos explosivos. Ele afirma que um cachorro que vivia próximo a sua casa morreu após ter convulsões. “Tudo por conta de gente que não sabe se divertir sem estourar fogos”, lamentou.

Cachorro foi atropelado após fugir com medo dos fogos (Foto: Arquivo pessoal)

Pivete, um cachorro que vive em um abrigo de animais desde filhote, sofreu uma parada cardíaca durante a queima de fogos de artifício. Após 15 minutos de massagem cardíaca, ele foi reanimado, mas está bastante debilitado. “Fogos não é diversão, é tentativa de assassinato”, escreveu uma das integrantes da ONG, Naíne Teles.

Além das convulsões e das paradas cardíacas, os fogos foram responsáveis também por enforcamentos. Desesperado, um cachorro acabou preso na grade de um portão. Sem receber socorro imediato, ele morreu enforcado. Outro caso, denunciado por Sabine Coll Boghici nas redes sociais, envolve a morte de um cão também por enforcamento. “Que isso sirva de exemplo, esse cachorrinho morreu enforcado ao pular da varanda com medo dos fogos, a família “maravilhosa” viajou e o deixou amarrado na varanda! Que Deus tenha misericórdia dessa gente, porque eu não consigo ter”, escreveu Sabine, que pediu para as pessoas terem compaixão pelos animais. “Cuidem dos seus animais nessa e em todas as outras festas de final de ano!”, disse.

Cão morre após se enforcar em grade de portão (Foto: Arquivo pessoal)

Uma cadela também pulou da sacada de um apartamento. No térreo, entretanto, moradores do prédio que haviam previsto a queda, esperavam pela cadela com um lençol. Graças a ação dos condôminos, Tina foi salva.

O tutor da cadela, o gerente Jean Carlos Silva Siqueira, contou à TV Anhanguera que Tina estava sozinha em casa quando o acidente aconteceu, já que ele havia ido ao supermercado. De acordo com Siqueira, a cadela ficou nervosa por causa do barulho dos explosivos desde o início da manhã. O tutor acredita que o medo tenha motivado Tina a passar pelo espaço do vidro da sacada que estava aberto.

Assustada, cadela caiu da sacada e foi salva por moradores de prédio (Foto: Arquivo pessoal)

Em uma publicação que alcançou, até o momento, mais de 2,6 mil compartilhamentos, Bete Salsa expôs diversos casos de animais que foram vítimas dos fogos de artifício. Dentre eles, um cachorro que tentou fugir de casa e ficou gravemente ferido, com perfurações pelo corpo, ao passar pela grade de um portão. O cão foi socorrido.

Cão sofreu perfurações pelo corpo após passar por grade de portão (Foto: Arquivo pessoal)

Raquel Nogueira Dias, tutora de Milka, também divulgou uma triste história nas redes sociais. “Milka, que é de porte médio e pesa aproximadamente 20kg, estava protegida dentro de casa e, ainda assim, ficou tão desesperada com a chuva e os fogos que quebrou o vidro inferior da porta e se espremeu num buraco de apenas 14 CM de altura por aproximadamente 30 CM largura (pasmem!!!!). Teve cortes tão profundos na patinha dianteira esquerda que rompeu todos os ligamentos e uma artéria. Rompeu um ligamento na pata direita. Teve inúmeros cortes no rosto e na boca. Se meu irmão não tivesse chegado, estaria morta. Segue internada”, disse Raquel.

Milka quebrou o vidro de uma porta e ficou gravemente ferida (Foto: Arquivo pessoal)

A tutora de Milka percebeu, com o lamentável acontecimento, que não se pode deixar animais sozinhos em dias em que há soltura de fogos. “Se seus animais tem muito medo de fogos, como a Milka, NÃO OS DEIXEM SOZINHOS!!!!! Animais se cortam e sangram até morrer, como quase aconteceu com a ela. Outros se enforcam em cercas, pulam de janelas, infartam!!!!! A beleza dos fogos NÃO justifica tanto sofrimento!!! Sejamos menos egoístas! NÃO SOLTEM FOGOS!”, alertou. A publicação já alcançou mais de 21 mil compartilhamentos no Facebook.

Em Tupaciguara, Minas Gerais, uma cadela que estava sozinha na rua arranhou o portão de uma casa até suas unhas começarem a sangrar. Depois, ao tentar pular o portão para encontrar um local onde se sentisse segura, ele ficou presa na grade. Segundo a ONG APA Tupaciguara, a cadela foi socorrida e teve apenas ferimentos leves. “A diversão de vocês pode custar a vida de um animal indefeso! Vale a pena? Se divertirem a troco do sofrimento do próximo? Se conscientizem”, disse a entidade. “Vão comprar um saco de ração! Ajudar uma ONG ao invés de jogar dinheiro fora causando dor e prejuízo para outros animais e pessoas”, completou.

Os explosivos também fizeram com que muitos cachorros fugissem. Nina Flor fez uma publicação no Facebook na qual relata ter encontrado na rua um cão “muito assustado com os fogos”. Em Indaiatuba, interior de São Paulo, a pit bull Zaia fugiu no bairro Paulista. Uma publicação feita em rede social tenta, agora, localizar a cadela. “A cachorra do meu sobrinho fugiu assustada com os fogos. Meu sobrinho é autista e a cachorra é uma grande companhia pra ele”, escreveu Renata.

Família procura pela pit bull Zaia, que fugiu com medo dos fogos (Foto: Arquivo pessoal)

Um cachorro que foi encontrado durante a queima de fogos, andando sem rumo pela rua, teve um final feliz. Após um vídeo divulgando o caso ser publicado nas redes sociais, os tutores foram encontrados. ” O cachorrinho ficou muito feliz ao vê-los. Ele tem 12 anos e fugiu na hora dos fogos. Graças a Deus agora ele está em casa. Agradeço a todos vocês que compartilharam”, disse Andréa Simões.

Restos de fogos de artifício prejudicam animais marinhos

Os animais marinhos também são prejudicados durante as festas de final de ano. Numa foto publicada por Thaís Gomes é possível ver o lixo gerado pelas pessoas, jogado na praia. No meio da sujeira, restos de fogos de artifício. Os itens deixados na areia, quando a maré sobe, são levados pelo mar e consumidos pelos animais, que os confundem com alimento e, muitas vezes, morrem.

Restos de fogos de artifício são deixados na areia (Foto: Arquivo pessoal)

“Assim fica a praia depois das nossas comemorações. Todos de roupinha branca, desejando um feliz ano novo sem ao menos ter o mínimo de noção de recolher seu lixo. A hipocrisia social reina”, criticou Thaís.

Campanhas pedem o fim dos fogos com poluição sonora

Além de ter sido utilizada para divulgar relatos a respeito do sofrimento dos animais, as redes sociais também serviram para que os tutores fizessem campanhas pedindo o fim da soltura de fogos com poluição sonora e solicitassem que fossem soltos apenas os foguetes que têm efeito visual, mas são silenciosos.

Campanha pelo o fim dos fogos de artifício com poluição sonora (Foto: Arquivo pessoal)

Dentre as campanhas, existe uma feita pelo artista plástico Guimarães Bezerra. Há oito anos ele perdeu Zizi, cadela que morreu após ter uma parada cardíaca por medo dos fogos. Agora, ele inicia a campanha “não solte fogos, solte beijos”, com a ajuda da cadela Manu, tutelada atualmente por ele. Nas redes sociais, o tutor publicou uma foto da cadela com um cartaz no pescoço no qual estava escrito a frase da campanha.

O pedido de Guimarães e de tantos outros tutores de animais vale não só para o Natal e a virada de ano, mas para qualquer época, já que comícios, festas como o São João no Nordeste, comemorações em dias de jogos de futebol e outras ocasiões são comumente marcadas pela soltura dos explosivos. E conforme explicou Guimarães, soltar fogos, em qualquer situação, “é uma forma de maus-tratos”.

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