CONTEÚDO ANDA

Ação humana causa a morte de 120 tartarugas em Sergipe

Fim do período de defeso do camarão e liberação da pesca de arrasto no mar podem ser as principais causas das mortes, diz Tamar.

Tartaruga Oliva Crédito: Projeto Tamar

Mal começou o período de pesca de camarão na costa sergipana este ano e os impactos da prática já são devastadores. Além do camarão, que é liberado para a caça duas vezes ao ano, as tartarugas também sofrem com essa ação humana.

Tartaruga encontrada morta na praia da costa sergipana | Foto: Projeto Tamar

No último período de pesca que ocorreu entre 1º de dezembro a 15 de janeiro de 2016 e 1º de abril a 15 de maio de 2017, 45 animais foram assassinados.

Segundo dados do Projeto Tamar só neste ano nos municípios de Aracaju, Abaís, Ponta dos Mangues e Pirambu, foram encontradas mais de 75 tartarugas mortas, em sua maioria da especie Oliva.

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Para Fábio Lira, biólogo e pesquisador do Tamar, a permissão da pesca do camarão é a principal causa das mortes. “Assim que acabou o período de resguardo, no dia 16 de janeiro, que aumentou o número de tartarugas mortas e com ovos”, afirmou.

Tartaruga saudável da espécie Oliva | Foto: Projeto Tamar

Totalizando mais de 120 mortes apenas desta espécie, esses assassinatos em massa na biodiversidade brasileira é uma prática infelizmente comum. Estima-se que a cada mil tartarugas que nascem, apenas uma chegue a fase adulta.

De acordo com Fábio, todas as espécies possuem uma importância para o equilíbrio ambiental. Hoje, a tartaruga está ameaçada de extinção e ocupa na fase adulta, o topo da cadeira alimentar marinha. “A morte delas causa um desequilíbrio grande. A ação antrópica é o principal problema, e a pesca é tida no mundo como a atividade mais impactante para a população de tartarugas marinhas”, destacou.