Transporte cruel: 70 mil bois vivos devem ser levados à Turquia até o fim do ano


Ao mesmo tempo em que tem aumentado a conscientização acerca dos direitos animais, cresce também a crueldade imposta a eles. O transporte de animais vivos, feito por navios, que é marcado por uma viagem estressante que leva dias e até semanas, tem sido visto pelos pecuaristas como uma forma de aumentar os lucros – isso porque eles recebem até 25% a mais pelos bois do que receberiam no mercado interno.

Animais são transportados em ambientes superlotados repletos de fezes (Foto: Divulgação)

A preocupação dos pecuaristas está exclusivamente relacionada à questão financeira. Desconsiderando o fato de que estão comercializando, causando dor e matando seres vivos e não mercadorias, eles seguem sustentando a exploração animal. Prova disso é a estimativa para este ano em relação ao embarque de bois vivos em navios com destino à Turquia. Devem ser transportados 70 mil bois. Vivos, presos a ambientes superlotados e sujos, escorregadios, com fezes e urina, eles viajam durante dias.

O município de Barretos, no interior de São Paulo, já recebeu a visita de turcos em busca de 35 mil bois. Ainda jovens, os animais de no máximo um ano e dois meses de idade já conhecem a crueldade e a ganância humana, que decidiu por mantê-los confinados por mais de trinta dias, privando-os da liberdade.

A Turquia é hoje a maior compradora de bois vivos do Brasil. No ano passado, foram levados para lá 124 mil animais. Em dezembro, 27 mil deles foram transportados por um navio que saiu do Porto de Santos. Em situação deplorável, sujos, muitos deles feridos e caídos ao chão, os animais foram submetidos a uma viagem de aproximadamente 15 dias de duração. Sem espaço para sequer se mover, os bois sofreram com o transporte conhecido como “boi em pé”. Exatamente como diz o nome, os animais não têm espaço suficiente para deitar e descansar e, dessa forma, são forçados a viajar por semanas em pé, exaustos e extremamente estressados.

No Porto de São Sebastião embarques também acontecem. Para atender aos turcos que visitaram a cidade de Barretos, 4 mil bois foram embarcados recentemente. Eles vieram do interior de São Paulo até o litoral em carretas, sendo 88 delas com pelo menos 70 bois em cada uma – o que demonstra o quão incômodo e estressante é o transporte feito, ainda de forma terrestre, em caminhões superlotados. Após quase 600 quilômetros, os animais chegam ao porto, onde o sofrimento se intensifica.

Após o navio vindo de Cingapura atracar no porto, uma grande operação se inicia. Para que os 4 mil animais sejam embarcados, são necessárias cerca de dez horas repletas de estresse para os bois. Estresse esse que, aliás, é confirmado pelo médico veterinário Risoleto Odilon de Lima Filho que, em entrevista ao Globo Rural, afirmou que “é inevitável o estresse da viagem, do transporte”.

Ao chegar na Turquia, os animais são levados para uma fazenda, onde são mantidos durante seis meses para então serem brutalmente mortos. Os turcos optam por animais vivos para que eles mesmo os matem segundo regras religiosas, dentre elas a de matar os bois ainda conscientes com uma faca bem afiada.


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