Resiliência

Na luta contra o preconceito, tutores cuidam de animais com deficiência

Acidentes, maus-tratos e carência alimentar podem ser alguns dos principais fatores que provocam a deficiência.

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06/12/2017 às 16:00
Por Redação

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Titan foi atropelado por um trem e perdeu a pata dianteira (Foto: Larissa Figueiredo / Arquivo Pessoal)

A falta da pata, ou da visão, por exemplo, não impedem que animais espalhem alegria e amor por onde passam. Porém, muitas vezes, a deficiência pode dificultar a chance de adoção dos animais, situação que ainda ocorre devido ao preconceito.

Larissa Figueiredo não levou esse fator em conta quando adotou o Titan, há um ano e dois meses. O cachorrinho teve que amputar a pata dianteira após ser atropelado por um trem. Para ela, o aspecto físico é irrelevante.

“Eu sempre tive vontade de ter um cachorro especial e quando vi a história dele em uma rede social, eu resolvi adotá-lo. Há cada dia ele me surpreende mais. Tinha a preocupação de como se adaptaria à casa. Mas hoje ele sobe as escadas naturalmente.

Corre até mais rápido que os outros dois cães que eu tenho. Parece que a falta de uma pata não faz diferença”, conta.

Assim como Larissa, a protetora Nilza Furrer também adotou cães deficientes, que foram resgatados das ruas. Ela cuida de cinco cachorros em casa, entre eles está o Zinho, que é cego, e Chicão, que é paraplégico e está internato em uma clínica veterinária há quatro meses.

De acordo com ela, a situação demanda mais trabalho, mas os benefícios da convivência são sentidos diariamente. “Não suporto ver o sofrimento deles nas ruas, por isso resgatei. Por mais que é preciso uma alimentação especial, a alegria proporcionada já é uma recompensa”.

A protetora ainda pontua que existem estereótipos a serem quebrados no momento da adoção. “Os cachorros negros e com algum tipo de limitação são deixados de lado. Infelizmente, esta ainda é uma realidade em Montes Claros”, lamenta.

Chicão quando foi resgatado; ele segue internado em uma clínica veterinária (Foto: Arquivo pessoal)

Cuidados

De acordo com o veterinário Raimundo Chaves, animais amputados geralmente não apresentam maiores dificuldades em se adaptar a ausência parcial ou total de membros. Mas ele alerta sobre algumas medidas a serem tomadas em situações específicas.

“Em animais com amputação de mais um membro deve ser observado se ele apresenta alguma alteração comportamental. Além disso, em casos onde não seja possível a locomoção, existe a possibilidade de adaptação do animal em alguns protótipos utilizando rodinhas e em alguns casos até a confecção de próteses”, diz.

Já para aqueles que sofrem de deficiência visual, ele dá dica de como facilitar a adaptação. “Pode se adaptar uma coleira para que seja um tipo de bengala, evitando que o animal se choque com os moveis da casa”, explica.

Confecção de cadeiras e próteses

Uma medida para facilitar a locomoção dos animais está sendo desenvolvida por uma equipe de alunos de um curso de engenharia biomédica da cidade. A iniciativa consiste na confecção de cadeiras de rodas e próteses. Ainda em fase de teste, elas vão ser fabricadas com hastes de alumínio, que poderão ser ajustadas de acordo com o tamanho e altura do animal.

“Nossa motivação é a possibilidade de aplicar os conhecimentos adquiridos no curso. Assim, podemos ajudar na causa dos animais que muitas vezes são abandonados devido à invalidez provocada por lesões”, diz Ivan Pereira de Oliveira Júnior, que participa do projeto.

Fonte: G1

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