Veganismo cresce exponencialmente em 2017


A nova geração de veganos está desafiando estes preconceitos. Crédito: Guia Vegano
A nova geração de veganos está desafiando estes preconceitos. Crédito: Guia Vegano

Há anos, as pessoas que adotam uma dieta livre de crueldade têm sido estereotipadas: são pessoas desnutridas que só comem alface e lentilha e usam saias largas com sandálias.

No entanto, a nova geração de veganos está desafiando estes preconceitos e tornando o movimento cada vez mais “mainstream”.

No Instagram, a palavra “vegano” foi usada milhões de vezes. Em comparação, menos de dez pessoas compareceram a reunião convocada em 1944 pela Leicester Vegetarian Society – grupo que criou a palavra “vegano”.

Dar um nome ao movimento ajudou a difundi-lo, especialmente na época quando não havia a Internet e os ativistas dependiam de assistentes do jornal Vegan News, que produziam.

Qual é o impacto da Internet?

Hoje, veganos como a letã Monami Frost podem alcançar milhões de pessoas em segundos, apenas divulgando uma foto ou um vídeo.

Crédito: Monami Frost
Frost já agregou milhões de fãs produzindo conteúdo sobre veganismo. Crédito: Monami Frost

Frost, que tem um canal no Youtube, afirma que o objetivo de seus vídeos é mostrar às pessoas que ela é como qualquer um: uma mãe que ama tatuagens e sua família e que segue uma dieta livre de crueldade.

Frost tem quase 1 milhão e meio de seguidores no Instagram e mais de 570 mil inscritos no Youtube.

Todos os dias ela recebe mensagens de pessoas contando que se sentiram inspirados por ela e querem se tornar veganos também.

“É inacreditável para mim que eu pude mudar a vida de alguém e, ao mesmo tempo, salvar vários animais”, conta ela.

A princípio, a maioria das pessoas aderiam a uma dieta livre crueldade por questões éticas. No entanto, os benefícios para a saúde estão convencendo cada vez mais pessoas a tornarem-se veganas.

Isto inclui vários atletas. Frost admite que ela originalmente adotou a dieta motivada pela saúde.

No entanto, com o tempo, eles tiveram acesso a inúmeras pesquisas sobre a indústria pecuária e eles passaram a priorizar a questão ética.

“Agora eu posso dizer que sou vegana pelos animais. Estou tentando dar uma voz para aqueles que não tem como falar”, disse ela.

O veganismo está crescendo de verdade?

A organização The Vegan Society acredita que o crescimento veganismo na Internet é um reflexo do crescimento do mundo real.

De acordo a ONG, este é o estilo de vida que mais cresce no mundo atualmente.

Em 2016, a organização realizou uma pesquisa que revelou que existia no mínimo 542 mil pessoas seguindo uma dieta livre de crueldade no Reino Unido.

Dez anos antes, o número de veganos era de apenas 150 mil.

Cerca de metade deles – 42% – tem de 15 a 34 anos, comparado aos 14% que tem mais de 65. Por isto, a The Vegan Society acredita que o estilo de vida continuará a crescer no futuro, à medida em que é adotado pelas gerações mais novas.

A pesquisa também revelou que grande parte das pessoas que não adotaram a dieta admiram os veganos.

“Este não seria o caso há 20, 30 anos. As pessoas descreviam os veganos como extremistas e desnecessários”, disse Samantha Calvert, da The Vegan Society.

Para Calvert, houve uma mudança cultural com relação aos veganos, em grande parte, devido a influência de celebridades como Jay-Z, Beyonce e Miley Cyrus, que frequentemente demonstraram simpatia pelo movimento.

Crédito: Instagram
Cantora Miley Cyrus tem uma tatuagem com o símbolo da The Vegan Society. Crédito: Instagram

Mas ela acredita que o fato dos produtos veganos terem se tornaram mais acessíveis à população e serem rotulados melhor também tiveram um efeito no crescimento do movimento.

“Eu acho que as pessoas estão mais conscientes de há muitos motivos para adotar uma dieta vegana”, disse ela.

Veganismo como promessa de Ano Novo

Janeiro é tradicionalmente uma época para novos começos e a campanha Veganuary se aproveita disto.

Ela encoraja as pessoas a experimentarem o veganismo por um mês na esperança de que elas se acostumem e adotem a dieta completamente.

A ideia foi concebida por um casal, Jane Land e Matthew Glover, no outono de em 2013. Em poucos meses eles criaram um site para a campanha e cerca de 3 mil pessoas se inscreveram para participar em 2014.

Já em 2017, quase 60 mil participaram e o casal acredita que, devido ao crescimento do movimento, o número em 2018 pode chegar a 150 mil.

Surpreendentemente, uma pesquisa realizada pela campanha revelou que a maioria das pessoas têm se convertido direto para o veganismo, diferente de como acontencia há alguns anos, quando as pessoas primeiro adotavam uma dieta vegetariana antes da vegana.

“Nós descobrimos que aqueles que mudam a dieta por uma mês conseguem mantê-los por mais tempos mais facilmente”, afirmou Matthew.

O veganismo é moda ou uma mudança permanente?

O blogueiro australiano Sean, conhecido como Fat Gay Vegan, acredita que 2017 foi o ano em que o veganismo quebrou grandes barreiras e se aproximou da cultura “mainstream” de maneira inédita.

Porém, por mais que o veganismo tenha se expandido muito este ano, Samantha Calvert da The Vegan Society, afirma que o crescimento é proporcional ao dos anos anteriores.

“Se tivessem me perguntado em 2012, eu acreditaria que o fervor já teria acalmado em 2017. Você não espera que este tipo de coisa dure todo este tempo, e isto que têm sido interessante”, disse ela.

A The Vegan Society realiza uma campanha desde de 2008, a Vegan Pledge, que ajuda as pessoas a se tornarem veganas em 30 dias.

Os resultados mostram que a maioria das pessoas que terminam o programa mantém a dieta: por exemplo, das pessoas que participaram em 2014, 82% delas ainda são veganas.

Por deste e todos os outros dados concretos, Calvert acredita que o crescimento do movimento não é uma moda passageira.

E o blogueiro Sean concorda com ela: “Quanto mais pessoas souberem sobre os efeitos que o consumo da humanidade tem no mundo, mais pessoas irão aderir ao veganismo”, afirmou ele.

O fundador da The Vegan Society, Donald Watson, morreu com 95 anos em 2005 mas seu legado continua mais vivo do que nunca.


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