Livre de exploração animal: couro 100% vegetal é feito do bagaço da uva


Um couro de origem vegetal, feito a partir dos resíduos da produção vinícola italiana, foi desenvolvido pelo arquiteto Gianpiero Tessitore. “As pessoas, na última década, passaram a prestar ainda mais atenção ao futuro do planeta. O tema do impacto ambiental virou quase que obrigatório no nosso dia a dia”, afirmou o italiano ao explicar porque buscou uma alternativa sustentável no âmbito do design.

Couro vegetal é produzido a partir do bagaço da uva (Foto: Jacopo Salvi Foto Shop Professio / Divulgação)

O produto foi desenvolvido em parceria com o químico industrial Francesco Merlino, que posteriormente se tornou sócio da marca. Batizado inicialmente de Wine Leather (couro de vinho, em tradução livre), o nome da empresa e do produto mudou, posteriormente, para Vegea, que segundo Tessitore é a junção da palavra “vegetal” com “gea” que significa terra em grego.

A ideia conquistou o setor da moda, o automobilístico e também o do design. O arquiteto empreendedor se surpreendeu com tamanha aprovação. “E pensar que, inicialmente, a minha intenção era encontrar uma alternativa aos tradicionais revestimentos de origem animal e sintética para peças e mobiliário de decoração. Essa é a origem do Vegea, minha escolha ética profissional”, disse ele.

A marca, que existe há menos de três anos, já alcançou sucesso e é conhecida em quase todo o mundo. O processo de industrialização e venda para o exterior devem ser iniciados no próximo ano.

Além de ser sustentável e livre de exploração animal, o produto tem também alta durabilidade e preço acessível. “Ao contrário do couro sintético, queríamos criar algo que usasse uma matéria-prima 100% vegetal e não só isso. A intenção era que o processo fosse feito sem o uso de petróleo e substâncias químicas tóxicas. Ou seja, baixo impacto ambiental”, explica o empresário. Além disso, a utilização do bagaço da uva diminui ainda mais o impacto no meio ambiente, isso porque, segundo Tessitore, “esse resíduo, descartado no processo de produção dos vinhos, é deixado de lado pelas vinícolas”.

Um tratamento especial é dado às fibras e óleos contidos no bagaço da fruta durante o processo produtivo, no qual são utilizados o caule, a pele, e a semente da uva, biomaterial obtido na produção do vinho. A matéria-prima tem origem em vinícolas das regiões do Piemonte e do Trentino Alto Adige, no norte da Itália. As informações são do portal O Globo.

A cada 10 litros de vinho se obtém 2,5 kg de bagaço, por meio do qual é produzido um metro quadrado do couro vegetal que, além de não utilizar petróleo e substâncias químicas tóxicas, também não utiliza água. “Um fator importante quando se fala em sustentabilidade é o de reduzir o uso não só de elementos químicos mas também o da água. Nosso produto de origem vegetal não faz uso da mesma”, observa Tessitore.

Gianpiero Tessitore desenvolveu o Vegea (Foto: Jacopo Salvi Foto Shop Professio / Divulgação)

O arquiteto que passou a comercializar seu produto na capital da moda e do design italiano, Milão, com o objetivo de conquistar empresas internacionais, afirma que batizou o couro vegetal de Vegea porque ele “possui as mesmas características do couro animal mas se distingue do couro sintético ou dos “eco-couros” pois não se utiliza produtos químicos poluentes, seguindo os princípios da sustentabilidade”.

A inovação do produto fez com que os sócios fossem um dos cinco vencedores do Global Change Award 2017, prêmio internacional oferecido pela H&M Foundation, da marca sueca H&M, que tem o objetivo de financiar ideias que reinventem a indústria da moda, protejam os recursos naturais do planeta e transformem a indústria. “Foi a partir desse momento que o nosso produto virou uma alternativa. E a moda, surpreendentemente, foi a indústria que mais se mostrou aberta ao Vegea. Já temos muitos contatos e estamos trabalhando para um lançamento internacional no ano que vem”, comemora Tessitore. O produto também é procurado por fabricantes de automóveis que buscam desenvolver projetos para carros de luxo.

Além de ter alta durabilidade, beleza, qualidade, multi-funcionalidade, facilidade de manuseio e baixo custo de produção, o produto sustentável feito a partir do bagaço de uva – que tem 7 milhões de toneladas jogadas no lixo todos os anos, que daria para produzir 2,6  de m2 de couro vegetal – é também de fácil estocagem. “Esse resíduo pode ser estocado facilmente. Basta que passe por um processo de secagem que o mantém inalterado por 3 a 4 anos”, diz o empresário.

Propostas de parceria já foram oferecidas pelos Estados Unidos, França, Argentina e Brasil. O objetivo da empresa, que pretende iniciar a produção industrial em breve nas redondezas de Milão, é de ampliar a fabricação de 20 metros de Vegea por dia para 100 metros.

Apesar de já ter alcançado sucesso, Tessitore almeja mais. Ele quer, agora, motivar o mercado global a desenvolver seu senso ético. Para isso, a próxima meta dos sócios é vencer, em 2018, o badalado prêmio de moda sustentável do 10 Green Carpet Fashion Awards, no Teatro La Scala, em Milão. Neste ano, o vencedor na categoria moda sustentável foi o italiano Tiziano Giardini, primeiro estilista a lançar bolsas e sapatos confeccionados a partir do couro de vinho. “Nosso desejo é que o próximo ano seja o ano do Vegea”, conclui Tessitore.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

DEMANDA CRESCENTE

CRISE CLIMÁTICA

CRUELDADE

ALERTA

LIBERDADE

PROTEÇÃO ANIMAL

COVARDIA

RETROCESSO

UMA ESPIRAL VIRAL

TRÁFICO


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>