CONTEÚDO ANDA

Shopping explora aves de rapina para espantar pombos no DF

Dois gaviões, covardemente impedidos de viver livres em seu habitat, são obrigados a voar pela praça de alimentação do shopping para impedir que pombos permaneçam no local.

238

14/11/2017 às 07:30
Por Redação

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Um shopping localizado em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal, decidiu explorar aves de rapina para espantar pombos da praça de alimentação. Dois gaviões, covardemente impedidos de viver livres em seu habitat, são obrigados a voar pela praça para impedir que pombos, dos quais são predadores, permaneçam no local.

Dois gaviões explorados são mantidos presos aos falcoeiros (Foto: Michael Melo/Metrópoles)

Apollo é uma das vítimas da ganância humana, que acredita poder manter em cativeiro uma ave que deveria ter a sua disposição a imensidão do céu. No shopping, o gavião se empoleira no braço de Harley Ferreira, 43 anos, que é falcoeiro, isso é, adestra aves de rapina, impedindo que elas vivam de acordo com seus instintos e desejos naturais, obrigando-as, de forma covarde, a obedecerem comandos e viverem para servir aos humanos.

“Havia cerca de 15 pombos no horário mais movimentado, durante o almoço. Pegavam comida do chão e dos pratos”, afirma Lemos, que lamentavelmente se orgulha de ter conseguido reduzir drasticamente o número de pombos no local, mesmo que para isso ele esteja explorando e aprisionando aves de rapina.

“Aqui, não permito que o Apollo abata os pombos. Mas, para essas aves, ele é um predador. Além disso, os pombos têm grande capacidade de aprendizado: se eu vier todos os dias, acostumam-se com a presença do gavião e passam a não se intimidar”, acrescenta o falcoeiro ao contar que a ave, da espécie asa-de-telha, é forçada a espantar pombos no local quinzenalmente.

Para evitar o desespero dos gaviões com a multidão, os falcoeiros colocam capuz neles, algo antinatural e inadequado que é usado devido ao estresse que o trabalho forçado cria na ave (Foto: Michael Melo/Metrópoles)

Lemos, que também explora Apollo para espantar aves em outro estabelecimento, tutela outro gavião e um falcão.

Lamentavelmente, visitantes do shopping costumam enaltecer a exploração animal. Roni Lemos, 36 anos, é um dos que não enxergam o quão cruel é submeter uma ave da rapina a uma vida que a afasta de seu habitat, retira sua liberdade e altera, por meio do adestramento, seu comportamento natural.

O estudante de agronomia Yann Amaral, 22, é falcoeiro há dois anos. Ele conta que não é permitido matar pombos, segundo normas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que permite a prática apenas em locais específicos, em que a presença das aves seja considerada como de alto risco às pessoas – devido aos vírus e bactérias transmitidos por suas fezes.

O ponto levantado pelo universitário revela a sordidez humana, presente, inclusive, em um órgão que, em seu nome, se coloca como defensor do meio ambiente, mas que na prática libera, em determinadas situações, que pombos sejam covardemente assassinados. O Ibama se recusa a reconhecer que não há nada que justifique o ato de tirar uma vida. Dessa forma, é inaceitável matar aves sob a alegação de que elas possuem vírus e bactérias. O órgão, enquanto instituição de meio ambiente, tem a obrigação ética de buscar saídas que não condenem animais inocentes à morte, ao invés de usar justificativas especistas para matá-los.

Vítimas da ganância e do egoísmo humano, os gaviões, que tem o céu inteiro ao dispor, vivem presos (Foto: Michael Melo/Metrópoles)

Apesar de liberar o assassinato de pombos – e também de ratos e determinados insetos – a matança indiscriminada de pombos, sem autorização prévia do Ibama, pode acarretar ação penal por crime ambiental.

Yann Amaral afirmou, em entrevista ao portal Metrópoles, que qualquer pessoa pode tutelar uma ave de rapina, desde que tenha instrução específica e indicou, inclusive, cursos a serem feitos. A declaração do estudante representa um risco para as aves silvestres por incentivar que pessoas retirem-as do habitat e privem-as da liberdade e da vida na natureza, colocando-as em áreas urbanas, totalmente inapropriadas para elas.

Amaral contou, inclusive, que Zeus, gavião asa-de-telha tutelado por ele, vive em seu apartamento na Asa Norte. O relato do universitário é usado por ele para afirmar que a criação de aves de rapina dispensa vastas áreas. O desserviço propagado pelo falcoeiro é de extrema irresponsabilidade e simboliza exemplarmente a ganância humana, que prefere aprisionar, de forma egoísta, uma ave de rapina em pequenos espaços apenas para tê-la por perto ao invés de admirar sua beleza livre, desfrutando da natureza.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.