CONTEÚDO ANDA

Aprisionado e ferido: o sofrimento de um gorila que vive isolado há 28 anos

Feridas abertas, alimentos em estado de apodrecimento e paredes estéreis de concreto manchadas com excrementos

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22/11/2017 às 06:00
Por Redação

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Estas são apenas algumas das condições vistas nas fotos divulgadas por uma ex-funcionária do Monkey Jungle, um zoo que funciona há  84 anos no condado de Miami-Dade, na Flórida (EUA), e que agora enfrenta escrutínio por abusar dos animais.

Foto: Melanie Lustig

Dois dos primatas explorados há muito tempo pelo local incluem um gorila e um orangotango. Nas fotos, o orangotango fêmea, chamado Mei, é mostrado de pé contra as barras do seu recinto e de costas para a câmera, completamente molhado com o que se acredita ser urina.

Em outras imagens, King, o único gorila do zoológico, exibe múltiplos ferimentos no estômago enquanto fica preso em  um pequeno armário de concreto, agarrado às barras de metal. Mais imagens mostram pássaros dentro de empilhadas gaiolas estreitas e imundas em uma pequena sala sem ventilação.

Melanie Lustig, a ex-cuidadora de primatas que originalmente publicou as fotos na internet, trabalhou no zoo por aproximadamente sete meses antes de sair no dia 15 de Setembro, poucos dias depois da devastação do furacão Irma no estado.

Embora o zoo negue as alegações de abuso e afirme que as fotos mostram os animais depois de serem colocados em prédios durante vários dias durante o furacão, Lustig disse ao The Dodo que testemunhou vários casos de negligência cometidos pelo gerente do estabelecimento.

Foto: Melanie Lustig

Outros exemplos incluíram o uso de mangueiras nos animais para forçá-los a entrar em diferentes recintos, privação de alimento quando eles não se apresentavam em shows e medicação inapropriada, causando a morte de pelo menos um animal.

“Todos os dias, eu descobria mais uma coisa que me fazia querer parar de trabalhar lá”, afirmou Lustig, observando que suas suspeitas de abuso começaram logo após ser contratada.

“Eu tinha que controlar as lágrimas ao ver como os animais eram tratados pela administração e como eles nos disseram para cuidar deles. Quando percebi que precisava sair daqui, meus colegas de trabalho começaram a me pedir para tirar fotos de tudo o que conseguia porque também se sentiam desconfortáveis”, observou.

King, o gorila de 48 anos, chegou ao Monkey Jungle em 1979, quando tinha cerca de 10 anos. Anteriormente, ele era obrigado a participar de apresentações de circo e ainda é usado regularmente para shows no zoo, disse Lustig.

Nos últimos 28 anos, o gorila sociável tem vivido sozinho. Seu recinto de três partes inclui uma sala para brincar, uma casa noturna onde ele frequentemente dorme e um recinto exterior. Lustig disse que ele constantemente parecia ansioso e cortava as feridas abertas em seu estômago.

Quando Lustig sugeriu tentar diferentes tratamentos para curar os ferimentos, a administração a ignorou e continuou utilizando uma pomada que o gorila esfregava.

Mei, o orangotango de 32 anos, atualmente não possui acesso à parte exterior de seu recinto, de acordo com Lustig, e geralmente não gosta de participar de shows para convidados. Por isso, ela raramente sai.

“Permanecer sozinha nos últimos 10 anos realmente foi árduo para ela. Às vezes, ela ficava tão entediada que permanecia de costas no concreto durante horas. Em outras vezes, ela começava a arrancar a pintura das paredes para evitar enlouquecer”, observou Lustig.

King tem feridas abertas no estômago/ Foto: Melanie Lustig

A divulgação das fotos fez com que a Animal Rights Foundation of Florida (ARFF) pressionasse o USDA a investigar a instalação. Agora, depois que outros três ex-funcionários contaram os abusos que ocorrem no local, o Zoo Miami, que não é afiliado ao Monkey Jungle, também está encorajando a investigação das denúncias.

Esta não é a primeira vez em que o zoológico recebe alegações de crueldade contra animais. Em 1997, a ARFF liderou uma campanha para convencer o Monkey Jungle a entregar o gorila King ao Zoo Atlanta, onde acreditavam que ele poderia viver com outros de sua espécie.

Esses esforços atraíram grande atenção da renomada primatóloga Jane Goodall, que defendeu que King fosse levado para um local onde pudesse viver ao lado de outros gorilas.

“Essa campanha durou em torno de dois anos, mas, infelizmente, o Monkey Jungle nunca cedeu”, disse Nick Atwood, gerente de campanhas da ARFF.

“Tenho certeza de que eles notaram como ele era uma fonte de dinheiro para eles, então resistiram a todos os nossos esforços para transferi-lo”, completou.

Mei sentada no lixo em um dos seus recintos / Foto: Melanie Lustig

Atwood disse que sua principal preocupação em relação a King e a Mei é a saúde mental deles devido à ausência de estímulos. Muitos primatas selvagens, especialmente gorilas, dependem de suas comunidades para socializar e desenvolver laços. Eles também precisam de uma grande quantidade de estímulos físicos e mentais: os orangotangos andam constantemente e sobem em árvores ao longo do dia na natureza enquanto os gorilas passam a maior parte do tempo à procura de alimentos.

A ARFF continuará falando em nome de King e Mei, na esperança de que possam ser transferidos para uma nova instalação para viverem entre outros primatas e receber cuidados veterinários adequados. Atwood acredita que Mei prosperaria em um santuário como o Center for Great Apes, em Wauchula, na Flórida.

Considerando a idade de King e o fato de ele ter passado a maior parte de sua vida sozinho em cativeiro, Atwood não sabe se o gorila pode se integrar com facilidade em um grupo social. “Meu objetivo é conseguir para os animais a ajuda de que eles precisam. Eles são animais incríveis e seria incrível que aproveitassem a vida novamente”, finalizou.

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