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Explorados por parque: macacos são encontrados mortos em congeladores

14 de novembro de 2017
4 min. de leitura
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Michelle Diaz, ex-treinadora do local, e Shirley Lavina, responsável pela limpeza do parque, entraram na clínica. A sala parecia uma área médica padrão, com uma mesa para exame e várias jaulas. Porém, havia um congelador com sacos que continham os cadáveres de macacos abusados pelo estabelecimento, denunciaram elas.

Macaco ferido em parque
Foto: Michelle Diaz

Os funcionários do parque mantiveram em segredo como os animais morreram e quem os tratou, segundo Diaz, Lavina e outros ex-funcionários do estabelecimento. Muitos disseram que nunca viram um veterinário na atração e não acreditavam que nenhum dos membros da administração interna tivesse uma licença para tratar animais feridos ou doentes.

Segundo Diaz, “os animais entraram na clínica e nunca saíram”. Esta é a última de uma série de alegações de ex-treinadores do local que possui mais de 80 anos e que se descreve como um lugar onde “os humanos são enjaulados e os macacos correm”.

Desde que o Miami Herald escreveu pela primeira vez sobre o assunto, mais três ex-funcionários fizeram denúncias. Oito deles contataram histórias semelhantes.

As mortes inexplicáveis dos animais explorados ali são comuns, disseram os antigos treinadores. Diaz e Lavina afirmam que uma preguiça chamada Daisy foi levada à clínica para uma histerectomia e morreu após o procedimento, que foi feito por um gerente do parque que não tinha treinamento veterinário. Diaz relatou ter encontrado, no perímetro do parque, macacos mortos no chão em três ocasiões distintas quando trabalhou no local entre Fevereiro e Outubro de 2015. Outras pessoas compartilharam informações semelhantes referentes a abusos médicos.

Macaco ferido
Foto: Michelle Diaz

Melanie Lustig, antiga treinadora de macacos do parque que deixou o local em Setembro, disse que um macaco doente, chamado Jordan, recebeu um coquetel de oito drogas e quase nenhum alimento pouco antes de morrer.

Alejandra Curtis, ex-nutricionista do Monkey Jungle, afirmou que um gibão chamado Caiman começou a ficar muito doente e que a administração ignorou o caso até ele ter uma convulsão. Ele foi levado para a clínica, onde faleceu. “Eles nunca vieram até mim e falaram sobre o que exatamente ocorreu. Tudo era tão silencioso. Tudo foi mantido em segredo”, afirmou Curtis, que trabalhou na atração de Janeiro de 2016 a Julho de 2017.

O parque é inspecionado anualmente pelo USDA e pela Comissão de Pesca e Vida Selvagem da Flórida. De acordo com os últimos três anos de inspeções pelo USDA, “itens incompatíveis” foram identificados durante as inspeções. A inspeção mais recente do USDA foi realizada no dia 26 de Junho.

“Estávamos tendo um colapso nervoso devido ao que vimos”, disse Lavina, que trabalhou no local na mesma época que Diaz, em 2015.

Ela diz ter testemunhado macacos matarem uns aos outros por causa do estresse causado pelo cativeiro. Os animais eram mantidos espremidos em jaulas e muitos tinham ferimentos.

Em uma “prisão de macacos” situada na parte de trás do parque para animais considerados problemáticos ou agressivos, Diaz disse que alguns primatas tinham grandes cortes nas mãos. Ela capturou imagens que mostram um deles com sangue em uma mão e o osso prejudicado. “Disseram-nos que essa prisão de macacos é para macacos em transição. Mas os macacos nunca saíram de lá”, contou.

Melanie Lustig, ex-treinadora de primatas do Monkey Jungle, fez um vídeo mostrando as condições do recinto do orangotango fêmea Mean, que ficou sentada sobre as próprias fezes por quase uma semana.

Privação de alimentos

Macacos em prisão do parque
Foto: Michelle Diaz

Os grandes macacos do parque, que são considerados as atrações do local, também foram maltratados, afirmam os antigos treinadores e foram as fontes das alegações iniciais que surgiram recentemente.

Diaz contou que a administração manteve a alimentação do gorila King, de 48 anos, para convencê-lo a se apresentar em shows. Porém, outros animais foram privados de alimentos.

Após um show em 2015, quando King não realizou seus truques habituais, a administração do parque disse que a treinadora tinha que parar de alimentá-lo até ele se apresentar. “Comecei a chorar. Eu disse que não poderia fazer isso”, disse Diaz.

Ela e Lavina afirmam ter comprado comida extra para os animais e tê-los alimentado em segredo, mas frequentemente eram repreendidas. Curtis, que trabalhou no parque depois da saída das duas, enfatizou que o parque continuou privando outros macacos de alimento para forçá-los a executar truques. O estado precário do local e os maus-tratos dos animais fizeram com que as ex-treinadoras saíssem.

“Eu estava tendo pesadelos, estava me sentindo mal. Não conseguiria viver comigo mesma, sentia que era um inferno”, disse Diaz.

Algumas das denúncias foram submetidas ao USDA para uma investigação mais aprofundada pela Animal Rights Foundation of Florida.

 

 

 

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