Um SOS para evitar a violência contra animais silvestres


Papagaios estão entre as aves resgatadas e tratadas no Centro de Triagem de Animais Silvestres, em Messejana | Foto: Fabio Lima

O abrigo temporário de espécies da fauna brasileira, recuperadas principalmente do tráfico no Ceará, está ameaçado. O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama-Ceará) está em condições físicas precárias para receber uma demanda de 500 a 800 animais por mês. A última intervenção no equipamento ocorreu em 2009 e de forma nada duradoura.

O Cetas foi criado pelo Ibama nos Estados para servir de casa de passagem, reabilitação e soltura das espécies nativas submetidas à captura, tráfico e maus-tratos originados da relação criminosa entre traficantes e quem compra animais silvestres para estimação, aprisionamento e outros fins.

Num cenário de convivência natural entre os ecossistemas e quem neles habita, não careceria existirem centros de resgate de animais da Caatinga, Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa. Mas existem e no Ceará as péssimas condições de acomodação comprometem os cuidados com a fauna usurpada dos habitats. Ano passado, 6.500 animais passaram pelo Cetas. E 4.800 até junho deste ano.

A precariedade do Cetas no Ceará é reconhecida por Hebert Lobo, superintendente do Ibama local. Segundo o gestor, uma sucessão de problemas envolvendo burocracia, escassez de verbas e promessas não cumpridas por parceiros públicos agravam o problema.

Desde 2011, explica Hebert Lobo, a Lei Complementar 140/2011 editou normas de cooperação entre a União, estados e municípios para preservação da fauna, flora e outras necessidades de proteção ao meio ambiente. Entre os compromissos, depois de várias reuniões, ficou determinado que o Governo do Estado construiria dois Cetas.

“O Estado passa a ser o responsável pela gestão da fauna e o Ibama pode agir de forma suplementar. O combate ao tráfico de animais continua sendo responsabilidade nossa e seguiremos resgatando animais ou recebendo de quem quer devolvê-los de forma espontânea”, explica Hebert Lobo.

De acordo com o superintendente do Ibama, 80% dos animais deixados no Cetas são trazidos por órgãos do próprio Estado, a exemplo do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPMA), Corpo de Bombeiros e Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). Vinte por cento é entrega voluntária ou busca ativa das equipes do Ibama.

Na prática, quando o Governo do Ceará decidir construir as unidades de reabilitação e soltura da fauna, o Estado contará com três Cetas. “Desafogará nosso trabalho, o cuidado com os animais será compartilhado e liberará o Ibama para mais fiscalização em campo e outras atividades”, afirma Hebert Lobo.

Enquanto isso não é realidade, o superintendente tem de resolver a reconstrução do Centro de Triagem federal. No último dia 31, ele afirmou ter autorizado a liberação de R$ 400 mil para a obra. Verba do próprio Ibama. E mais R$ 300 mil, resultado de emenda parlamentar do senador Eunício Oliveira (PMDB), seriam destinados para a reedificação.

Segundo Hebert Lobo, a complementação do recurso para a reforma radical do Ceatas será feita até o início do próximo ano. A obra terá de ser licitada até dezembro deste ano por causa das eleições de 2018 e os impedimentos da legislação eleitoral. “O projeto de engenharia já está pronto”, afirma.

Números

70%

dos animais resgatados pelo Ibama no Ceará, ou recebidos espontaneamente no Cetas, são aves.

20%

são répteis. A maioria serpentes, principalmente, jiboias. Além de iguanas e outros lagartos.

10%

são mamíferos. Macacos pregos, soins, guaxinins, raposas e cassacos.

Fonte: O Povo


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