Viagem sem volta: morte da cadela Laika em missão espacial completa 60 anos


A morte da cadela Laika, explorada pela ciência nos anos 1950 em uma missão espacial, está completando 60 anos hoje (3). Na época, pouco se sabia sobre o espaço e, devido às dúvidas a respeito da possibilidade de um organismo vivo sobreviver além da atmosfera de nosso planeta, os cientistas decidiram enviar Laika ao espaço.

Imagem divulgada pela então União Soviética em 1957 mostra a cadela Laika no assento no qual foi para o espaço a bordo da cápsula Sputnik 2 em 3 de novembro daquele ano (Foto: Reprodução)

A cadela foi encontrada nas ruas de Moscou, então capital da antiga União Soviética, e foi lamentavelmente escolhida para ser o primeiro ser vivo a orbitar a Terra, já que antes dela haviam sido feitos apenas voos suborbitais altamente secretos. Laika, entretanto, não foi o primeiro animal a perder a vida devido ao egocentrismo dos cientistas, que sentiam-se no direito de colocar animais em risco em prol das ambições humanas. Macacos, e também moscas, já haviam sido enviados ao espaço entre os anos 1940 e 1950, porém em voos curtos. Alguns deles morreram após se chocarem contra o solo.

Os cães, entretanto, eram considerados as cobaias preferidas dos soviéticos, que não eram capazes de enxergá-los como sujeitos de direito e tinham interesse único de explorá-los em benefício da ciência. A dupla de cães Tsygan e Dezik foi lançada à fronteira do espaço, a cerca de 100 quilômetros de altitude, porém sem atingir órbita, em 1951, a bordo de um foguete R-1 IIIA-1. Eles sobreviveram e passaram a ser considerados os primeiros mamíferos a irem ao espaço e voltarem vivos. O episódio marca dois aspectos da exploração de animais pela ciência: o risco desnecessário imposto a duas vidas que, felizmente, conseguiram sobreviver à experiência, e o registro de que outros tantos animais não tiveram a mesma sorte, já que os dois cães foram os primeiros a voltar com vida.

Laika, enviada tempos depois de Tsygan e Dezik, não teve a felicidade de viver a mesma realidade que eles, já que morreu na viagem ao espaço. O governo soviético afirmou, na época, que o intuito era enviar Laika para uma viagem só de ida à órbita terrestre para que ela passasse alguns dias voando ao redor do planeta. Entretanto, recentemente descobriu-se que na verdade a cadela morreu antes do esperado. Menos de 10 horas após o lançamento do foguete, Laika perdeu a vida devido à falhas na proteção da cápsula Sputnik 2, na qual ela estava.

“A gente não sabia basicamente nada sobre o espaço naquela época. Era muito grande o medo da radiação da microgravidade e de quais seriam os efeitos disso em organismos vivos”, afirmou Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio, em entrevista ao O Globo.

Sessenta anos depois, a mentalidade acerca dos direitos animais, em alguns casos, permanece a mesma. É o que prova Cherman, ao ver com bons olhos a missão espacial que tirou a vida de uma cadela que deveria ter vivido de acordo com seus próprios propósitos e não ter sido morta pela irresponsabilidade e ganância humana. O astrônomo acredita que o objetivo principal da missão, que era o de saber se um organismo vivo poderia sobreviver na órbita terrestre, foi alcançado, mesmo que isso tenha custado a vida de Laika.

“Foi um acontecimento histórico que abriu caminho para os voos tripulados por humanos poucos anos depois”, afirma Cherman, que desconsidera que o único marco deixado na história pela exploração de Laika pela ciência foi o da crueldade.


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