Comércio de guepardos deixa animais à beira da extinção


Reprodução/Chris Grodotzki
Reprodução/Chris Grodotzki

Os guepardos são os animais terrestres mais rápidos e, infelizmente, muitos deles são criados como animais domésticos no Oriente Médio. No Instagram, há centenas de fotos de árabes com grande poder aquisitivo posando com estes animais em suas casas, na frente de automóveis desportivos e até mesmo em barcos.

Este não é um fenômeno novo. Os egípcios e a realeza persa frequentemente criavam grandes felinos, porém agora é diferente. Os guepardos perderam mais de 90% de seu habitat e há apenas cerca de sete mil deles na natureza (cerca de 50 deles são guepardos asiáticos, que vivem no Irã). A perda de habitat e a fragmentação lhes deixou mais vulneráveis à extinção, mas o crescente comércio de guepardos como animais domésticos também é um dos fatores que ameaça os animais.

Os guepardos da Etiópia têm sido os mais prejudicados. Os traficantes contrabandeiam os animais pela Somália devastada pela guerra e pelo Mar Vermelho até o Iêmen, onde os animais podem tomar uma das muitas rotas para outros países árabes, como os Emirados Árabes Unidos (EAU).

“Os números são inacreditáveis”, declarou Patricia Tricorache, que investiga o comércio da espécie para o Fundo de Conservação de Guepardos localizado na Namíbia. Ela documentou 250 casos envolvendo mil guepardos comercializados desde 2005.

Uma comissão na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES) aprovou novas recomendações para, entre outras medidas, trabalhar com as plataformas de mídias sociais com o objetivo de sensibilizar as pessoas e combater o comércio online da espécie.

Menos de 300 casos pode parecer um número pequeno em comparação com as dezenas de milhares de elefantes africanos mortos a cada ano devido ao comércio do marfim, por exemplo, mas é devastador para os guepardos segundo especialistas.

“O comércio de apenas alguns deles teria um grande impacto sobre a população”, afirmou Sarah Durant da Sociedade Zoológica de Londres e da Iniciativa Big Cats da National Geographic. Muitas populações de guepardos possuem menos de uma centena de indivíduos.

De acordo com Durant, as apreensões representam apenas uma pequena parte do comércio global. Além do progresso feito pela CITES, os Emirados Árabes Unidos, um dos principais destinos para os filhotes contrabandeados, também está prestes a aprovar uma lei que proíbe a criação de guepardos e outras espécies selvagens como animais domésticos.

“Os guepardos são belos na natureza, não em residências. Tentamos mostrar às pessoas o impacto de tê-los como animais domésticos”, disse Ahmed Al Hashmi do Ministério de Ambiente e Mudanças Climáticas dos Emirados Árabes Unidos.

Eles necessitam de dietas especiais, mas muitos tutores simplesmente os alimentam com comida de gato ou com cortes específicos de carne, sendo que ambos causam problemas de saúde. Eles também exigem muito espaço, explica Duran.

A luta contra esta terrível indústria deve continuar, disse Nick Mitchell, da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Ele e Durant fazem parte do Programa de Conservação Range Wide, que trabalha para proteger guepardos e cães selvagens. Mitchell acaba de receber os resultados de um novo estudo na Etiópia que mostra que a população de guepardos perto da fronteira com a Somália tem declinado.

“Pela primeira vez temos provas de que o comércio de guepardos tem um impacto sobre as populações de guepardos selvagens. Eles sofrem e estão cada vez mais escassos”, disse.


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